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Entrevistas de música brasileira

Cordel do Fogo Encantado

O vocalista e compositor Lirinha. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Cordel do Fogo Encantado

parte 10/18

Buscamos cada vez menos elitizar nosso trabalho

Tacioli  A que vocês atribuem o sucesso desse primeiro álbum?
Lirinha  Uma das perguntas mais difíceis da minha vida.
Nego Henrique  Isso é uma coisa muito minha, pessoal. Acho que é tudo fruto do que se fazia antes. Tudo que o Cordel mantém hoje em termos de questões materiais, de cenário, de luz, de equipe técnica, vem de atrás, dos meninos que já vinham com o grupo há um tempo e eu, meu primo (Rafa Almeida) e Emerson pegamos na frente. É resultado do muito que você já ralou, do que você já fez, dos calos que você já fez na mão.
Emerson – Sobre esse disco, principalmente, o pessoal fala do diferencial em relação a outras bandas vindas do Nordeste. Mas acho que é mais pelo cotidiano que nós vivemos. Construímos nossa música a partir daquele ponto de vista, do que era o sertão, uma linguagem pouco explorada.
Almeida  Mas outros sertanejos também já botaram seus olhares em todas essas referências, não?
Emerson  Mas a forma como a gente trata a cultura é diferente, com essa história de releitura e resgate que estávamos falando. Procuramos expressar uma nova geração vinda do sertão e tendo aquelas manifestações todas como uma coisa super criativa e super positiva. E tentar seguir o mesmo caminho, não o mesmo caminho musical e reprodutivo, mas o mesmo caminho criativo.
Clayton  Eu acho que o culpado de toda essa projeção que estamos tendo, esse reconhecimento pela crítica, se posso dizer assim, somos nós mesmos, que acreditamos em nosso trabalho, que temos uma consciência do momento de hoje, do que estamos fazendo, e da trajetória que a gente vem traçando, que é buscar cada vez menos elitizar nosso trabalho, não deixar que ele seja influenciado por pessoas da alta sociedade, ou por pessoas que sejam inteligentes, entre aspas. Temos várias formas de concepção artística, a de Lira, a de Emerson, a minha, a de Nego, a de Rafa. E o processo que a gente sempre manteve desde o começo da banda do Cordel foi o da liberdade. Quando temos a verdade e a liberdade, e sabemos o nosso potencial, temos condições de ir para qualquer lugar.
Lirinha  É, esse negócio aí é difícil. [risos]
Seabra  Vocês venderam quantos discos?
Lirinha  Quinze mil.
Clayton  Quinze mil, fora as dez músicas que saíram na Trip, né?
Lirinha  Quando a gente fala isso o pessoal da Trip fica meio chateado.
Clayton  Deve ter gente no Acre que sabe do nosso som, mas nunca fomos lá.
Lirinha  A revista teve uma grande tiragem.

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