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Entrevistas de música brasileira

Clemente

Clemente. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Clemente

parte 8/29

Você gosta de Led Zeppelin? Eu gosto de New York Dolls!

Tacioli – Você tinha um bode ou inveja do Douglas, que solava, e você não?
Clemente – Não, ficava à vontade. Eu tinha alma de baixista sem saber. Eu era guitarrista, fazia base na boa. Quando me deram o baixo, eu me descobri. Adorava tocar baixo.
Tacioli – E quais eram as suas referências?
Clemente – Pra mim era o John Entwistle, do Who. O cara era muito bom. Ouvia o disco Live at Leeds e dizia que era aquilo que queria ser. A guitarra tinha uns acordes, era muito cheio de coisa. Com o baixo eu me sentia à vontade. No primeiro show eu já era baixista.
Tacioli – O primeiro show como Restos de Nada?
Clemente – Já era o Restos de Nada. Na verdade, a primeira bandinha que montamos em 1976 nunca vingou. Eram os amigos que tentava ensaiar, que tentava fabricar pedal de bumbo. Não tinha guitarra e não tinha amplificador. Aquela coisa de pivetada. No primeiro show do Restos de Nada já no fim de 77 a gente conheceu um batera, o Charles, não o Gavin, dos Titãs. O negão tocava sax, bateria, piano, violão. O que você desse na mão do cara ele tocava. Ele tocava muito bateria. Então, a gente tinha uma base e começamos a ensaiar os três. Aprendi muito tocando com o Charles, a coisa do groove, do baixo, da batera. A gente fez um show na escola com um amigo nosso como vocalista e somente depois chegou o Ariel, que era da mesma turma nossa. Tinha o pessoal que era da Vila Carolina, eu do Limão; havia várias vilinhas por perto, mas cada uma com uma característica. E o Ariel era da Vila da Palmeira, que era bem barra pesada. Tanto ele quanto eu escrevíamos, e aí se formou o Restos de Nada, que nasceu rock e se descobriu punk. Isso porque a gente começou a ler matérias na revista Pop sobre punk, punk, punk… “Quais eram as referências do punk? Stooges, MC5…” Tudo o que a gente já gostava… New York Dolls, Stooges e MC5. É o que seria o roqueiro alternativo hoje: “Eu conheço a banda da Finlândia, da Escandinávia”; era a gente. “Você gosta de Led Zeppelin? É uma bosta. Eu gosto de New York Dolls!” O nosso negócio era dançar, rock and roll dos anos 50, o espírito do rock and roll, que era a rebeldia. Aquele filme do Led Zeppelin fui assistir no cinema, puta coisa chata, não terminava nunca, os caras solando pra caramba. O Iggy Pop, do Stooges, era um deus pra gente, era o cara. A idéia era essa: viver pouco, mas viver intensamente. Isso era o rock and roll.

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