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Entrevistas de música brasileira

Clemente

Clemente. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Clemente

parte 7/29

Entrevistamos a nossa banda preferida, o Made in Brazil

Dafne – Você falou que o Douglas foi aprendendo a tocar guitarra e você com ele. Era aprender ouvindo a música e tentando repetir ou… Havia algum método?
Clemente – Ouvir e tentar repetir no começo. O Douglas era muito bom nisso. Tirava as músicas do Black Sabbath perfeitamente, inclusive com os solos. Eu era mais tosco, aprendia somente a base. [ risos ] Aí fazia a base pra ele solar maravilhosamente. Tanto é que o cara é um puta guitarrista. E a banda começou com aquele lance do sofá, de ler na capa do disco “O cara tocou acordeom, guitarra, baixo, gaita…”. “O que você vai tocar, Clemente?” “Eu vou tocar baixo, guitarra, acordeom.” [ risos ] Ninguém imaginava… Eu era pra ser guitarrista-base, porque o Douglas era o solista. Mas como a gente nunca achava baixista, acabou sobrando o baixo na minha mão. Lembro até hoje do dia do primeiro ensaio: olhava e via as cordas mais grossas e “como vou tocar isso, não sei onde ficam as notas!”. [ risos ] Aí o baterista, que tocava tudo, explicou. “Ah, é igual!”
Tacioli – O aprendizado do baixo foi mais fácil?
Clemente – Pra mim, na época, foi, porque a guitarra tinha muita corda e eu bebia muito. [ ri ]
Tacioli – E o número só aumentava, né?
Clemente – Só. [ ri ] Mas a gente queria fazer rock. Lembro que o Douglas foi trabalhar de office boy para comprar a primeira guitarra dele. Comprou uma guitarra reformada da Del Vecchio. Depois comprou uns captadores Gibson. E o Valtinho, o cunhado dele, o cara dos discos, tinha um puta amplificador. “Vamos ouvir a primeira guitarra de verdade plugada num alto-falante! Vamos na casa do Douglas, vamos lá!” Acabou a luz. [ risos ] Ficamos a tarde inteira…
Dafne – Aquela expectativa de plugar e escutar…
Clemente – Fomos ouvir depois, mas aí perdeu a mística. Eu e o Douglas fizemos a 7ª série juntos. E a professora da aula de música falou: “Vocês terão de entrevistar um artista”. “Pô, vamos entrevistar quem?” E ele: “Vamos entrevistar a Rita Lee.” “Então, vamos.” Aí saímos. Pegamos com o Valtinho uns contatos.
Tacioli – O Valtinho era o cara.
Clemente – Ele era o cara. [ ri ] Achamos o escritório da Rita Lee. O pessoal olhou para a nossa cara, dois pivetinhos: “Viemos entrevistar a Rita Lee”. “Levem uns brindes da Rita Lee, uns balangandãs…” E tchau. “Rita Lee filha-da-puta! [ risos ] Aí fomos entrevistar a nossa banda preferida, o Made in Brazil. Fomos a Pompéia e o Oswaldo e o Celso, “arf”, nem tchum. Mas a gente queria o endereço do segundo vocalista do Made, o Perci Weiss. Eles deram o endereço, acho que era na Faria Lima. Fomos lá. “Viemos fazer uma entrevista com você.” “Ah, entra aí!” “Pô, cara legal!” [ ri ] Entramos, começamos a conversar sobre música… “Vocês conhecem isso?” “Sim, claro, temos o disco, que tem aquela música.” E o cara “Pô, do caralho!”. Ficamos super amigos do Perci por causa do conhecimento musical que a gente tinha. Fizemos a entrevista e levamos para a professora. Ele (Perci) chamou a gente para ir a um show do Made in Brazil no Teatro Záccaro, um show famoso onde o Made colocou um tanque de guerra no palco. A bateria ficava em cima de um tanque de guerra cenográfico, claro. Pisava no bumbo, “Pá!”, e saia fumaça.
Tacioli – Lá no Bexiga?
Clemente – Lá no Bexiga. Era o Teatro Aquarius na época. 1976. Puta show!! Umas baitas caixas (de som)…“Vamos ficar perto das caixas”. Chegamos e não tinha falante! [ ri ] Tinha um monte de caixa que era só para impressionar. [ risos ] Éramos fãs do Made. A primeira música que aprendi a tocar foi “Anjo da guarda”.

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