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Entrevistas de música brasileira

Clemente

Clemente. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Clemente

parte 4/29

Meu sonho era ser zagueiro

Tacioli – Mas nessa época, antes de formar a banda, a música dividia atenção com quê?
Clemente – Futebol, né. O meu sonho era jogar bola, era ser zagueiro.
Tacioli – Zagueiro? Zagueiro do Corinthians?
Clemente – Zagueiro do Corinthians. Mas do Corinthians comecei a gostar mesmo em 77 quando foi campeão. Antes, em 76, bateu aquela dor quando eu vi (o Corinthians) rachando o Maracanã com o Fluminense na semifinal do Brasileirão… “Pô, isso que é time! A torcida foi até lá! A invasão, todo mundo de preto!” [ risos ] Em 77 quando surgiu o punk, eu falei “Esses caras são punk! [ ri ] É o meu time!”.
Tacioli – Mas antes qual era a adoração? Era o Santos?
Clemente – Eu gostava de futebol bem jogado. Gostava do Santos por causa do Pelé, tinha a Academia, do Palmeiras, “Pô, esse time joga pra caramba, apesar de ser um bando de boiola”. [ risos ]
Tacioli – Mas você ia em estádio, Clemente?
Clemente – Não, não, mas eu jogava muito. Nessa época fui ao estádio uma vez ver o Corinthians contra o América do Rio. Acho que o Geraldão era o centroavante. “Geraldão driblou um, driblou dois, driblou três… Na trave!” “A bola?!” “Não, o Geraldão!”. [ risos ] Uma piada, o Geraldão era uma figura. Mas eu jogava de fim de semana, era goleiro. E aí, quando tinha uns 13 anos, fui fazer um teste na escolinha de futebol da Aclimação, não passei porque tinha que usar óculos. “Pô, jogo bola todo dia, enxergo a bola, e os caras me falam que não posso jogar porque tenho que usar óculos.” Fiquei revoltado e comecei a tocar.

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