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Entrevistas de música brasileira

Clemente

Clemente. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Clemente

parte 27/29

Hoje em dia qualquer idiota pode ser VJ da MTV

Tacioli – Clemente, e qual é o papel da MTV pra música brasileira?
Clemente – Pra indústria da música brasileira, sim. Pode-se falar que existia a época pré e pós-MTV, né? Mas ela criou uma falsa ilusão na época “Pô, Nirvana, as bandas, atitude, MTV ! Era só você estar lá que está tudo bem”. E até hoje as pessoas acham o ápice aparecer no Banda Antes, da MTV, porque “Isso é tudo na minha vida! Se eu não aparecer, não vou ser nada!”. E não é bem por aí. Você constrói público fazendo show, ralando. A MTV é uma ferramenta. Você põe o seu clipe no YouTube e põe na MTV, saca? A MTV já teve uma época melhor. Hoje em dia acho que já não é mais tão… Tanto é que nem música você ouve mais. Antigamente você até ouvia música. Os VJs antigamente manjavam de música: era o (Fábio) Massari, Gastão (Moreira), Ana Paula, Soninha. Hoje em dia, não, qualquer idiota pode ser VJ da MTV.
Almeida – Ô, Clemente, e a 89?
Clemente – Já era, né?
Tacioli – Faz tempo?
Clemente – Faz tempo, já era, foi engolida.
Almeida – Você lembra o último momento da rádio?
Tacioli – O último respiro?
Almeida – É o último momento digno.
Clemente – Da 89? Quando o Massari estava lá, foi do caralho. Tatola, jabazeiro, mas do caralho. [ risos ] Engraçado, porque quando o Tatola estava na Brasil 2000 fazia todas as coisas escusas, tocava as bandas de gravadora, mas nunca deixou de abrir espaço para as bandas novas.
Almeida- Na 89 também?
Clemente – Na 89 também. Porque era como o Musikaos eu tinha que ter a grande atração pra chamar audiência e aí apresentar uma coisa nova, entendeu? Como vou apresentar?
Almeida – É estratégico?
Clemente – É estratégico. Eu tenho que manter a audiência lá em cima e falar: “Olha, gente, vocês viram o Charlie Brown Jr., mas olha quantas bandas legais tem aqui embaixo também”. Isso porque tem o público médio, que é o normal, que existe desde que a música foi inventada. (O público) que ouve axé hoje, ouve rock amanhã, ouve sertanejo, ouve pagode, ouve lambada. É o público flutuante.”Puta, cara, é o que está na moda! Sou tão roqueiro, uuu! uu!” [ risos ] Aí amanhã está lá: [ canta ] “É lambada ê, é lambada…”. [ risos ] “Pô, cara, tá cheio de mulher aqui! Do caralho!”
Tacioli – No Fábrica do Som [ n.e. programa musical da TV Cultura do início dos anos 1980 ] você foi muitas vezes?
Clamente – Não, eu tinha uma briga com o Tadeu Jungle, e nunca fui.
Tacioli – Você tinha uma treta?
Clemente – Tinha. Hoje em dia, acho que não tem mais. Ele era muito mala, né? [ ri ] Ele foi fazer uma entrevista com a gente uma vez pra zoar, e aí eu o tirei. Ele, então, desgravou, fez de novo e aí me tirou. Claro, que ele era mais esperto! [ ri ] Até hoje ele ganha uma puta grana. Eu, não! [ risos ]

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