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Entrevistas de música brasileira

Clemente

Clemente. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Clemente

parte 21/29

Um skinhead nazista é um paradoxo

Tacioli – Clemente, o que te dá prazer em cantar?
Clemente – Prazer em cantar?
Tacioli – Músicas que te dão prazer, fora aquelas que sempre canta.
Clemente – Puta, cara, essa pergunta é difícil porque canto meio de tudo. É engraçado porque sempre cantei as minhas músicas, nunca cantei coisas de outras pessoas, né? Então, é difícil falar “Tenho prazer em cantar isso”. Tem coisas que canto no chuveiro, como cantar música do Mercado de Peixe, do Monjolo. [ canta ] “Alguém mandou chamar / Eu vim / Alguém mandou chamar.” É do caralho! Fui ao show dos caras e acabei cantando “Samba do seqüestro”. Gosto de cantar o que me toca, não sei. Não tem “Ah, gosto de cantar ska!”. Cantei com uma banda de ska, o Sapobanjo, e foi do caralho. Sempre amei ska. Foi um evento no Hangar chamado Skarnaval. Cara, do caralho, lotado, puta festa, foi muito bom!
Tacioli – E o ska tem uma relação…
Clemente – Muito próxima com o punk. O reggae também tem uma relação muito próxima com o punk. “Punk reggae party”, do Bob Marley [ n.e. canção do discoBabylon by bus, de 1978 ]. E, por incrível que pareça, os skinheads ouviam reggae e ska pra caralho. A 2 Tone Records era dos skins e dos negros jamaicanos que migraram pros bairros proletários ingleses… Um skinhead nazista é um paradoxo. [ ri ] Os caras ouviam música jamaicana. Você olha a capa de uns discos skin e estão lá de suspensório… (Na contracapa) tem um monte de negão… [ ri ] tem, por exemplo, aSymarip, uma banda que faz todos os hinos skin como “Skinhead girl” e “Skinhead train”, e era uma banda de reggae jamaicano.

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