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Entrevistas de música brasileira

Clemente

Clemente. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Clemente

parte 14/29

Sou músico antes de mais nada

Tacioli – Esse ecletismo da primeira geração do punk paulista/paulistano é o que motiva essa acusação de traição?
Clemente – Não. Esse lance de traição veio num momento assim: a gente conseguiu construir a cena punk, conseguiu construir um movimento, as gravadoras lançando as bandas e tal. O ápice e a queda foi o festival Começo do fim do mundo. E depois daquilo foi frustrante pra muita gente. (Depois) teve só a invasão do Rio, quando a gente terminou a noite com o Ronald Biggs, escalei o morro da Urca, aquelas histórias punk-rock… Terminar a noite bêbado com o Ronald Biggs foi do caralho! [ risos ] E aí o movimento punk parou porque teve a famosa matéria do Fantástico, que desmontou tudo. Foi a Silvia Popovic quem fez. Sempre era eu, o Ariel e outros caras que sempre falavam. Quando vimos que a Silvia Popovic estava com segundas intenções, falamos: “Meu, não vamos falar com você”. E demos o toque pra todo mundo: “Pô, não falem com essa mulher…”. Só que os caras nunca falavam, né? E você pega um canal pra falar um monte de besteira e dá uma garrafa de pinga pro cara, “Pá, pinga do caralho!”. Foi isso que mostraram no Fantástico, o cara falando bosta. Ali acabou. E voltaram as brigas de gang, voltou tudo. Tudo errado. A gente não conseguia mais produzir, não conseguia mais fazer show. A gente alugava o salão beta da PUC, ia fazer um show e terminava a PUC em chamas, gang brigando, se matando. “Meu, quero tocar! Sou músico antes de mais nada. Quero tocar!” Então falei: “Não ando mais com esses caras”. E fui andar com o rock paulista. Fui fazer show com Mercenárias, com Ira!, com todo mundo. Aí o Inocentes acabou. Mas a gente voltou pós-punk, quero dizer, quando a gente chegou na Warner, todo mundo (disse): “Ah, banda punk”, que era o rótulo, mas o disco é pós-punk.

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