gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Chico César

ChicoCesar-940

Chico César

parte 0/20

Canto em praça de guerra

Graças ao descentralismo do grupo, estavam presentes seis gafieirenses à entrevista. A expectativa era ótima, afinal estávamos com a equipe quase completa em volta da mesa dos fundos do Bar Teta, em Pinheiros, prestes a darmos mais um passo em direção à proposta de tomar alguma coisa enquanto colocamos questões que nos rodeiam para uma figura da música brasileira, seja ela da casa do milhão, seja dos 20 mil discos vendidos, autora de versos memoráveis ou que duraram uma estação, que fazem rir e querer morrer. Na medida do possível, conforme as portas vão se abrindo, tentamos conhecer e fazer conhecer alguns deles.

Classificado por parte da mídia como um dos expoentes da música brasileira “de qualidade”, “de bom gosto”, nosso entrevistado poderia falar se concorda com o rótulo. Poderia relembrar parceiros que moram no coração, que o viram chorar e pedir um grande amor. Ou mesmo daquela vez em que um toró inexplicável o fez perder um encontro, mas trouxe na enxurrada uma música inteira, de uma só vez. Ou o contrário. Será muito romântico pensar assim? Não basta ter uma ajudinha de um curioso para qualquer pessoa se lembrar de passagens saborosas como essas? Enfim, ele poderia falar das interferências, incluir os ruídos, temperar os encontros que fazem da nossa história pessoal uma narrativa curta e dinâmica, boa de se ouvir. Isso parece imprescindível para uma boa entrevista. E nosso entrevistado, Chico César, fez sua parte.

Servido de algumas doses de conhaque, em plena e exaustiva divulgação do disco Respeitem meus cabelos, brancos, Chico, o menino da loja de discos de Catolé do Rocha, o adolescente da banda Jaguaribe Carne e o músico “maior que Pelé” – para o entusiasmado sambista Moacyr Luz – estava disposto a refazer todo esse trajeto. E foi o que fez, com reveses, idas à Alemanha, traumas com máquinas fotográficas e beliscadas no parmesão com vinagre balsâmico e mel posto na mesa. Porém, faltou ao Gafieiras aquela curiosidade que faz beliscar a memória, puxar fiapos que podiam ser novelos de histórias pouco lembradas. Neste contexto, o grupo ficou mais calado e amargou o gostinho azedo de vinagre na boca. O que não impediu que o mel da vida temperasse uma baita entrevista.

Tags
Chico César
de 20