gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Caetano Veloso

Caetano Veloso na revista Bondinho. Foto: Walter Firmo

Caetano Veloso

parte 7/19

Eu vi Cauby ser atacado pelas fãs violentamente

Bondinho – Você parece uma pessoa bem informada musicalmente, isto é, de ter ouvido música, de ter cantado música de diversos compositores. Quando disse que, se estivesse fazendo cinema, estaria também escrevendo sobre música, talvez seja por esssa carga informativa que você já tinha de música.
Caetano – É. Eu tenho uma ligação grande com a música popular brasileira. Eu ouvia tudo desde menino. Hoje em dia… Eu voltei pro Brasil, ando no carro, ligo o rádio, né, ouço tudo, fico ouvindo tudo, e tudo me interessa. Aprendo as letras, vou cantando, dou risada, quero saber quem fez, como é, fico vendo, fico ouvindo tudo, sacumé? Inclusive tive uma capacidade crítica muito grande por causa disso, quer dizer, eu tinha uma visão muito larga da música brasileira porque sei coisa desde muito tempo. Minha mãe canta muito bem, sabe muitas músicas, e me ensinou e me despertou o interesse por coisas que tinham sido famosas mesmo antes de eu nascer, entende? Minha mãe ensinava, tinha discos velhos em casa, eu ouvia, ouvia o programa A hora da saudade. Aí teve o ano que vim morar no Rio, e que freqüentava a Rádio Nacional semanalmente, às vezes duas ou três vezes por semana, porque eu ouvia o programa do Manuel Barcelos…
Bondinho – Você veio pro Rio com que idade?
Caetano – Entre 13 e 14 anos, em 1956. Eu passei o ano de 56 todo no Rio, morando em Guadalupe, entre Marechal Hermes e Deodoro… Então ia sempre ao programa, fosse Manuel Barcelos, César de Alencar, Paulo Gracindo, né? Foi uma das únicas vezes que vi Dolores Duran pessoalmente, na platéia e no palco. E eu gostava imensamente dela. E vi todo o pessoal. Vi a Emilinha Borba milhares de vezes no programa César de Alencar… falando “que maravilha, hein, César, que beleza!” E Marlene, fazendo as maiores lou-cu-ras… Marlene fazia loucuras, ela pegava o cabelo, botava em cima do microfone, fechava todo o rosto, com microfone e tudo, coberto pelo cabelo, e cantava dentro, fazia gestos incríveis, coisas absolutamente geniais. E… Linda e Dircinha Batista… E Heleninha Costa, que eu gostava muito. Eu tinha muita afeição por duas cantoras, uma se chamava Neusa Maria e a outra Zezé Gonzaga. Eram duas cantoras que nunca foram de grande sucesso, mas que sempre cantaram muito bem. Cauby Peixoto, eu vi Cauby ser atacado pelas fãs violentamente. E Luiz Gonzaga. Quando era bem pequeno, gostava era de Luiz Gonzaga mesmo, era louco por Luiz Gonzaga, minha mãe dizia assim: “Liga o rádio no programa de Luiz Gonzaga que Caetano gosta”. Eu era pequenininho mesmo.

Tags
Caetano Veloso
de 19