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Entrevistas de música brasileira

Caetano Veloso

Caetano Veloso na revista Bondinho. Foto: Walter Firmo

Caetano Veloso

parte 9/19

Gosto muito de toda a coisa da fase tropicalista

Bondinho – E ao mesmo tempo tem a tua visão hoje do uso dessas diversas coisas na música, quer dizer, do ponto de vista de você fazer uma coisa ilustrativa, o próprio descontraimento de palco que você mostrou no show, quase uma cenografia própria. Tá tudo mais…
Caetano – É, pra mim tá tudo tranqüilo, sai espontaneamente, o negócio todo que tá ligado ao show, e mesmo ao disco, saiu com muita espontaneidade. Um pouco diferente do que saiu no primeiro disco em Londres, que acho um disco contraído, que não se move, que não anda e eu não gosto.
Bondinho – Ele dá impressão de uma rigidez muito grande…
Caetano – E eu tava triste, sem gosto, frio, sem vontade naquela época. É um disco que não gosto de ouvir. Só gosto de “Asa branca”. Gosto muito de Bethânia também, mas mesmo assim tem um gosto de coisa gelada, que não me agrada, não me anima. Agora, o novo não, o novo eu adoro. Ouvi de novo na Bahia depois de um mês sem ouvir, e disse, muito bem, legal, ótimo, tá ótimo, morri de dar risada, achei bacana, vivo…
Bondinho – Você tem algum sentimento desses, de não gostar de alguma coisa, com relação à fase tropicalista?
Caetano – Não. Toda a coisa da fase chamada tropicalista, eu gosto muito, mesmo. Vejo aquilo com muita… alegria. Nunca mais ouvi muito aqueles discos não. Eventualmente, uma pessoa bota e eu ouço e digo “ah, legal”, sacumé? “Baby” eu gosto muito, a música “Tropicália”, aqueles discos todos eu gosto. O show na Sucata, o espetáculo de televisão em São Paulo, Divino maravilhoso, algumas vezes, saiu genial. Me lembro com alegria das primeiras coisas que Gal fez, e, principalmente, aquele LP do Gil que tem “Luzia, Luluza”, música que até hoje eu ouço com uma emoção enorme, profundíssima!

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