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Entrevistas de música brasileira

Benjamim Taubkin

O pianista e produtor Benjamim Taubkin. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Benjamim Taubkin

parte 6/34

Talvez o filho mais rebelde fosse eu

Max Eluard – Já que a gente entrou nessa seara, Benjamim, pensando a cultura e Ministério da Cultura hoje, como você vê a atuação do Gilberto Gil, um músico como você, que está aí há cinco anos. [ n.e.: Cargo que ocupou de janeiro de 2003 a 30 de julho de 2008; a entrevista é de março de 2007 ]
Taubkin – Puxa vida. Eu sou crítico por alguns motivos. Tem a ver com essa esfera que a gente está falando e talvez eu prefira ficar com aquilo que eu estava falando pra chegar nisso, porque senão talvez vocês não vão entender…
Max Eluard – Entendi, fazer um caminho cronológico.
Taubkin – Acho que eu posso me explicar melhor. Não quero que seja uma coisa gratuita. Até porque não é pessoal, é pelas idéias.
Tacioli – Benjamim, licença. Será que posso colocar o microfone na sua lapela?
Taubkin – Aqui assim? Deu?
Tacioli – Deu.
Taubkin – Tá ótimo! Desculpem. A gente estava falando dessa questão do progressista e das diferenças na hora de sair (de casa). Havia uma série de profissões conhecidas e prestigiadas com uma espécie de olhar privilegiado da sociedade; e outras que quase não tinham chance de existir naquele meio. E, pra minha geração, pra aquilo que eu estava vivendo, era o contrário: aquilo que tinha prestígio estava perdendo a vida, e as outras coisas estavam ganhando uma vida. O que eu posso te dizer, só pra não alongar demais isso, é a partir do momento que meu pai, anos depois, foi vendo que eu existia naquilo que eu fazia, que eu sobrevivia, que eu não dependia dele, e que pouco a pouco ele via meu nome aqui, ali, ele achou um barato. “Puxa, ele fez a história dele!” Então, isso foi uma experiência interessante.
Tacioli – Os irmãos caminhavam nesse sentido também?
Taubkin – Caminhavam. Talvez o mais rebelde fosse eu. Mas, por exemplo, saí de casa com a minha irmã, a gente foi morar junto. Isso tinha e não tinha uma ruptura, era um desejo muito próprio, né? Hoje em dia tenho dois filhos, quero dizer, meu filho até mora sozinho, é uma experiência ótima pra ele, mas os filhos levam mais tempo hoje pra sair. E antes havia uma coisa muito urgente, queríamos viver a nossa vida, ter as nossas experiências. Isso parecia não ser possível dentro de um lar estruturado, como numa família, com as expectativas.

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