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Entrevistas de música brasileira

Benjamim Taubkin

O pianista e produtor Benjamim Taubkin. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Benjamim Taubkin

parte 34/34

Gosto muito do Guga

[ Enquanto a equipe desmonta o equipamento e Ângulo fotografa Benjamim ]

Max Eluard – Benjamim, preciso usar o banheiro.
Taubkin – Subindo, em frente.
Nery – E eu preciso fazer uma ligação, posso?
Taubkin – Claro, claro. (…) A chuva está piorando.
Ângulo – Benjamim, você pode posar para umas fotos. Como a luz está baixa, você pode ficar com a cara mais próxima para fazer um detalhe do seu rosto?
Taubkin – Assim está bom?
Ângulo – Está legal! Aproxima mais o rosto. [ dirigindo-se ao Tacioli ] Você pode fazer perguntas enquanto bato as fotos… [ risos ]
Taubkin – Que time você torce? O que você gosta de comer com macarrão? [ risos ]
Tacioli – Você gosta de futebol?
Taubkin – Eu gosto.
Tacioli – Mas joga futebol?
Taubkin – Joguei muito, mas não jogo. Eu joguei muita bola quando era adolescente.
Tacioli – Campo?
Taubkin – Não, mais salão, campo menos. Joguei muito tênis na adolescência. Apareceu na minha vida e mergulhei.
Tacioli – Tinha algum ídolo no tênis?
Taubkin – Thomaz Koch foi o ídolo de todos na época. [ n.e.: Tenista gaúcho que atuou nos anos 1960 e 70; foi o maior nome brasileiro na Copa Davis ] Que engraçado, ele não chegou aos pés do Guga nesse sentido, mas uma vitória significava muito. Teve um negócio com a Romênia, aqui na Taça Davis, quando eles ganharam… Os romenos eram número 1. Tinha um romeno que era o… Qual era o nome do cara? Ilie Năstase. [n.e.: Tenista romeno, número 1 do mundo em 1972 e 73 ]
Tacioli – Mas hoje, tem alguma atividade física?
Taubkin – Caminhar. Eu caminho. Quando posso, caminho muito. Você sabe que gosto muito do Guga? Ele é um barato, um cara de verdade nesse meio. Quando ele foi número 1 do mundo não quis subir em carro de Bombeiros, não foi em programa de televisão. Foi convidado pra ir a todos, né? Era a bola da vez.
Max Eluard – E fez muito, né?
Taubkin – Sozinho. O cara foi o movimento. O movimento era ele!
Tacioli – Mas você gosta de ter heróis, ídolos, essas referências?
Taubkin – Na música o meu ídolo é o Beethoven. Mas não é ídolo, não é isso, é que admiro muito o que ele fez, a visão de mundo, a postura; ele representa um pouco disso tudo que a gente conversou hoje. Ele foi fundo na música e na vida. Você teria que ter outras referências de leitura dele para sair do clichê, mas quando você sai do clichê, ele é um cara espetacular.
Ângulo – E Villa-Lobos?
Taubkin – Ah, gosto muito, mas também gosto muito do Radamés.
Tacioli – O reconhecimento que o Radamés tem é equivalente ao do Villa?
Taubkin – Bom, não, não, mas está acontecendo muito mais do que acontecia. Me lembro que quando se falava no Radamés há 20 anos ninguém sabia quem era. Isso melhorou um tanto. O próprio Roberto, sobrinho dele, faz um lindo trabalho. [ n.e.:Roberto Gnattali, filho de Êrnani Gnattali, é instrumentista, maestro, compositor e arranjador ] O Radamés é um cara fundamental, porque no Brasil tem essa coisa do erudito e do popular e ele enfrentou muito bem isso. Nesse sentido talvez até mais que o Villa.
Tacioli – Ele era orquestrador de rádio.
Taubkin – De rádio, tocava piano, improvisava, mas também fazia sinfonia. Guerra-Peixe, Francisco Mignone, Camargo Guarnieri, adoro esses caras. Tinham uma música de muita qualidade. Ainda não se descobriu direito a música deles. Você pega as “Valsas da esquina”, do Mignone… Bonito aquilo! Tem uma coisa que a gente não conversou hoje, mas que é muito importante, que é a permanência. Você tem que ter coisas pequenas que fiquem acontecendo (permanentemente). Claro, a gente está agora numa época de grandes mudanças, o chão está se mexendo, mas algumas coisas têm que acontecer com constância. E, de novo, isso é papel de governo.

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