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Entrevistas de música brasileira

Benjamim Taubkin

O pianista e produtor Benjamim Taubkin. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Benjamim Taubkin

parte 33/34

Lembro da emoção que senti com o Chico Science

[ Enquanto Benjamim Taubkin mostra músicas de artistas e grupos latino-americanos ]

Tacioli – Esse peso da música que você tem mostrado é a volta da admiração que tinha pelo rock?
Taubkin – Não, não. Gozado que não vejo por aí…
Tacioli – Pelo ritmo…
Taubkin – O peso pra mim é o que tem na orquestra de quatro percussionistas, de tocar com o Abaçaí com quatro tambores. Na minha música ela é mais do que isso. O que gosto é quando a gente fala de política cultural; gosto (de ver essa música) no sentido que isso é verdade. Gosto dessa força porque ela é de verdade, fala com as pessoas, fala com a moçada do lugar, isso é importante! A música que faço vai falar com as pessoas num determinado tempo e horário, mas não substitui isso (a música deles). O que é legal é a moçada se juntando, pegando ônibus com dez amigos e “Vamos dançar hoje à noite!”.
Max Eluard – E fazendo isso como uma extensão da vida…
Taubkin – Acho legal! Eu me lembro da emoção que senti com o Chico Science. Eu não faria aquele som. Mas em cima do som do Chico Science ouvi harmonias que eu colocaria, entendeu? Eu até proporia pra ele em algum momento. Adorava!
Ângulo – Ao passo que esse mercado independente está crescendo, como fazer pra que esse material seja ouvido?
Taubkin – Aí volto à questão, que pra mim talvez seja a questão de tudo o que a gente está fazendo aqui. Tem que ter pessoas que tenham (paixão), tem que se mobilizar, tem que fazer isso. Tem, porque não tem o que substitua isso. Se vier pelo oficial, virá distorcido. Tem que ser assim, não pode perder o tesão. Como é que falou o Siba outro dia: “Ay que perder la ternura, pero la dureza jamás”. Ele falou tirando sarro. Mas, por exemplo, esse projeto que a gente está fazendo, América Contemporânea, é quase hippie. É verdade! [ risos ] E, ao mesmo tempo, superprofissional, no sentido de melhor acabamento possível, mas é movido por paixão.
Dafne – Nenhuma outra coisa justificaria fazer…
Taubkin – Exatamente. O encanto de fazer… Você me perguntou qual a função do músico. Tem músico cuja função é tocar na orquestra mesmo. Se ele tocar aquilo bem feito está cumprindo totalmente sua função. Mas se você tem inquietações, tem que correr atrás delas, às vezes pensar o tempo histórico em que você vive, caramba, “O que você pode fazer com isso? O que você poderia ou deveria fazer? O que vale a pena fazer?”. Outro dia conversei com um cara que está fazendo um festival de violão em Araraquara. Ele faz da cabeça dele; acho genial! Em Araraquara, uma vez por mês, um concerto de violão. Ele é violonista, hospeda os caras na casa dele.
Nery – Araraquara é um grande pólo.
Taubkin – E ele faz isso. Diz que vai 500 pessoas por concerto. Muito bacana, tem que ter quem faça.
Tacioli – Quinhetas pessoas é…
Dafne – Ótimo.
Taubkin – Em Nova York também.
Dafne – Em qualquer lugar.
Taubkin – Você sabe que quando comecei a trabalhar com o Núcleo, uma das coisas deslumbrantes foi descobrir que os números são iguais no mundo. Vender três mil discos em Nova York é bom.
Max Eluard – É até melhor porque ganha em dólar [ risos ].
Taubkin – Pra eles é melhor pagar em dólar…
Tacioli – Obrigado pelo papo.
Taubkin – Foi um prazer.

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