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Entrevistas de música brasileira

Benjamim Taubkin

O pianista e produtor Benjamim Taubkin. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Benjamim Taubkin

parte 2/34

Nossos heróis eram o Elvis, Beatles e Rolling Stones

Taubkin – Vocês querem tomar alguma coisa? Tem suco, água, pão de queijo… Podemos tomar daqui a pouco… Fiquem à vontade.
Tacioli – Você disse que morou em vários lugares de São Paulo. Em que bairro você nasceu?
Taubkin – Eu nasci no Jardim Europa. Nasci na Rua Suécia, esquina com Alemanha, e vivi ali até os 18 anos. Quero dizer, enquanto morei na casa dos meus pais, e com os meus pais, morei ali. Era um lugar interessante: era um bairro classe média alta, onde os vizinhos se falavam pouco. Somente fui conhecer mais os vizinhos já adolescente, embora, claro, criança tinha vizinho de lado onde a gente jogava bola todo dia, mas era um bairro diferente de outros bairros. Não era um bairro onde tinha uma vida na rua. Era um bairro onde as vidas eram dentro das casas. Mas, por outro lado, muito agradável. Era um espaço bom, amplo, e isso também possibilitou muita coisa.
Tacioli – E em casa você tinha mais irmãos, como era?
Taubkin – Eram os meus pais e três filhos. Meu pai tinha um filho de outro casamento, que morava no Rio, então eventualmente vinha visitar a gente. Era um evento, especialmente quando a gente era pequeno. Todos ligados à música. Minha mãe tocava piano e cantava. Ela tocava piano principalmente para se acompanhar, mas cantava. E meus dois irmãos até hoje trabalham com música [ n.e.: Myriam Taubkin, idealizadora e produtora do Projeto Memória Brasileira, e o compositor e instrumentista Daniel Taubkin ]. A gente cresceu num ambiente que tinha essa coisa em comum. Logo tudo foi fazendo impacto na gente. Nossos primeiros heróis – havia outros também, claro – eram Beatles, Rolling Stones, Elvis Presley, Pat Boone. Havia essa coisa da turma do Elvis Presley, a turma da Pat Boone, dos Beatles, dos Rolling Stones. Depois a Jovem Guarda e os festivais da Record. A gente viu tudo isso junto e era uma coisa presente do ponto de vista da música. Ao mesmo tempo, se eu fosse pensar em lembranças bacanas, eu andava de bicicleta pela cidade. Pegava a bicicleta e ia embora. Era uma época que dava para andar de bicicleta.
Tacioli – Qual era essa época?
Taubkin – Eu nasci em 1956. Então isso foi depois de 1967, com 11, 12 anos comecei a sair de bicicleta.
Tacioli – Andava sozinho?
Taubkin – Havia uma turma de bicicleta e, muitas vezes, eu andava sozinho. Tive dois cachorros espetaculares que andavam comigo pela cidade. Eles iam pela calçada. Era um barato!
Dafne – Que curioso…
Taubkin – Tinha um cachorro espetacular, uma figura mesmo. Era uma mistura de vira-lata com lobo, tinha essa cara. E havia uma empregada que conversava com ele… Contava a vida dela pra ele. Ele ficava olhando. Ela encanou que ele era um santo. [ risos ] E meus pais viajavam muito pra fora do Brasil. A gente ficava porque tinha escola. Teve uma época em que ela deu a carne boa pro cachorro. Era um santo, tinha que comer a carne boa, claro! E quando eu ia para a escola, esse cachorro ia comigo todo dia até o ponto de ônibus. Ele me esperava pegar o ônibus e voltava pra casa.
Dafne – Qual era o nome dele?
Taubkin – Bob. Aqueles nomes de cachorro. Hoje em dia já não se dá nome de cachorro pra cachorro… A minha vizinha tem um que se chama Danielli.

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