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Entrevistas de música brasileira

Benjamim Taubkin

O pianista e produtor Benjamim Taubkin. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Benjamim Taubkin

parte 28/34

Será que é o prenúncio de uma Renascença?

Nery – É uma coisa que sinto muito nesse governo é que há uma visão bastante diferente de cultura. Por exemplo: a gente teve um ritmo de visão em que a cultura era como se fosse a tradição do país. E neste governo foi essa postura da “questão da invenção”. Não querendo julgar isso, mas sei que existe uma diferença de visão de cultura…
Taubkin – Por exemplo, a visão do Hermano Vianna legitima tudo, né? Do ponto de vista dele acho muito bacana, honestamente, acho importante pra discussão, acho plural. Tem que ter um Hermano. Como tem que ter o fundamentalista! É um jogo! Não que me sinta um fundamentalista… Esse cara também tem um papel. Isso que me encanta, isso pra mim é civilização. Civilização é onde se tem diferentes vozes sendo ouvidas numa espécie de mínima respeitabilidade por essa pluralidade, entendeu? Esse debate tinha que ser mais público, mais aberto, mais inclusivo e deixar as pessoas se expressarem. Está aí, não ter dono, isso é o que me encanta.
Nery – Então você deve estar bem alinhado com a questão do Creative Commons… [ n.e.: Projeto sem fins lucrativos que disponibiliza licenças flexíveis para obras intelectuais ]
Taubkin – Quando você começa delimitar que uso dá àquilo já acho bacana. [ Taubkin se dirige para Dafne, que tenta driblar a chuva torrencial ficando entre a sala e o quintal ] Não precisa tomar chuva se quiser fumar. [ risos ]
Nery – Ou como criar pontes como, por exemplo, no Overmundo, em que em algumas áreas você pode colocar um fragmento de música ou de texto e outra pessoa continua ou edita…
Taubkin – Uai, são experiências bacanas.
Nery – Sua música entra nessa lógica?
Taubkin – Eu precisaria ser convidado pra entrar num projeto pra fazer isso. Eu, sozinho, não vou fazer. Não, porque tenho muita questão no piano pra resolver. Então, tem muita coisa que pra mim é uma questão e que vou sentar al e resolver. Mas se me convidam para o projeto participo feliz. Eu acho divertido, estimulante.
Nery – A gente está vivendo um momento construtivista num certo sentido?
Taubkin – Tem coisas acontecendo. Uma delas é que a gente nunca teve uma geração tão preparada pra fazer música; nunca vi isso. Tem uma molecada tocando tão bem, mas tão bem… Não sei na história do mundo quantas vezes teve isso? Será que é o prenúncio de uma Renascença? Pode ser, pode ser.
Tacioli – Isso vem de onde, Benjamim?
Taubkin – Eu acho que vem da natureza, desculpa. [ risos ]
Tacioli – Não é de formação…
Taubkin – Eu acho que tem uma coisa, olha…
Dafne – São momentos…
Taubkin – Você não explica a Renascença Italiana, não explica os escritores na Rússia – como também pode explicar -, não explica o Impressionismo Francês – e pode explicar também… Quero dizer, como surgem essas pessoas ou movimento, como o do jazz americano dos anos 1950, 60?
Tacioli – Mas quando você fala existe esse…
Taubkin – Isso não é somente no Brasil.
Tacioli – Isso que eu queria saber.
Taubkin – Na América Latina, por incrível que pareça.

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