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Entrevistas de música brasileira

Benjamim Taubkin

O pianista e produtor Benjamim Taubkin. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Benjamim Taubkin

parte 20/34

Nunca fizemos conta!

Max Eluard – Vocês criaram um mercado?
Taubkin – Criamos, e era um mercado que estava aí. Existia uma demanda latente. Agora, claro, a indústria como um todo entrou (em crise), porque se ela estivesse boa, a gente tinha um mercado. Isso a gente sentiu de cara. A gente foi a menina dos olhos por um tempo, porque era uma coisa nova, fresca e bem feita, não dava trabalho, os lojistas não tinham problema com a gente. Era tudo fácil, então, dava certo. A gente também não prometia uma coisa e entregava outra. A gente nunca pensou comercialmente, nunca. Por exemplo: se o disco não está bom, não está bom. “Ah, mas já acabou o budget!”. “Não está bom!”. Nunca fizemos conta.
Max Eluard – Que chega naquela equação que falamos no começo da pergunta, do talento e da liberdade criativa.
Taubkin – E sempre foi… Aí que está: esse mercado foi se desestruturando, foi se fragmentando. E comecei a ter um outro tipo de experiência, porque o Núcleo cresceu muito, chegou a ter 35 discos em catálogo. Uma hora, eu e o Teco no Núcleo vimos que não queríamos isso. Nem ele nem eu. Porque a gente teria que parar de tocar e virar administrador. Trinta e cinco discos é muita coisa. Você manter isso em catálogo, tem custos e você precisa mudar a lógica, entendeu? Aí já vira uma lógica mais empresarial mesmo. Você precisa ter uma noção de como administrar o catálogo. Se o mundo estivesse muito fácil, equilibrado, talvez não fosse difícil, a gente faria uma ampliação. Eu não vejo essas coisas como contraditórias. É legal ter experiência matemática, não acho que ela vai afetar a experiência criativa. Pelo contrário, pode ampliar. Mas do jeito que estava em crise, não. Ali era duro. Ali envolvia outras coisas.

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