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Entrevistas de música brasileira

Benjamim Taubkin

O pianista e produtor Benjamim Taubkin. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Benjamim Taubkin

parte 1/34

Num lugar que não se conhece, você fica mais vivo

[ Enquanto a equipe ajusta os equipamentos de vídeo e áudio… ]

(…)
Renato Nery – Agrada o formato MP3?
Benjamim Taubkin – Saiu um (artigo) na piauí em que o cara fala que nunca se ouviu tanta música com um som tão ruim [ n.e.: A reportagem intitulada “Baixa fidelidade”, assinada por Cassiano Elek Machado, está aqui ]. Do ponto de vista de quem grava – como é o meu caso -, você fica procurando aquele detalhe e… E, às vezes, você paga uma sessão de estúdio inteira pra consertar um detalhe. Com o MP3…
Max Eluard – Acabou esse detalhe…
Taubkin – De certa forma, sim. Quero dizer, as pessoas não estão nem desenvolvendo o ouvido pra isso. Claro que você pode pôr num I-Pod com uma ótima qualidade, mas aí ele também não armazena tanta música.
Nery – O MP3 é engraçado porque seleciona uma banda pra você escutar.
Taubkin – Quando você tem excesso de informação, você limita isso. Ontem assisti a um filme em DVD – O céu de Suely. Eu tenho tido pouco tempo pra sentar e assistir um DVD. O que fiz? Peguei, aluguei cinco DVDs e, quando cheguei em casa, falei: “Puta, eu nunca vou poder ver cinco DVDs!”.
Dafne Sampaio – Joguei o dinheiro fora mais uma vez…
Taubkin – Não sei, mas não costumo fazer isso, até porque achei que eu estava devendo pra mim mesmo o cinema. Aí em O céu de Suely tem o making of, né? “Puxa vida, vou ver somente um pedaço do making of, porque tenho outros filmes pra ver.” O que acontece? Você vai restringindo o que vê de cada coisa. Isso faz parte desse universo de muita informação. Mas é uma busca de cada um. É uma coisa engraçada quando você viaja muito. Eu gosto muito de viajar. Talvez o primeiro motivo que me faz gostar tanto de viajar é que quando se está num lugar que não se conhece, você fica mais vivo, mais atento. Andando na rua, tudo chama a sua atenção. “Nossa, como essa pessoa anda!” Todos os sentidos ficam atentos. Em São Paulo, não. Quero dizer, qualquer um que tenha a sua cidade. Você fica pra dentro… “Nossa, hoje eu tenho que fazer isso, amanhã não-sei-o-quê…” E vai indo, você vai “entrando pra dentro”. Mas se você sai todo dia, e tudo te chamar atenção…
Dafne – Você se perde…
Taubkin – É uma espécie de histeria.

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