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Entrevistas de música brasileira

Benjamim Taubkin

O pianista e produtor Benjamim Taubkin. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Benjamim Taubkin

parte 13/34

Toquei onde todos tocavam: Baiúca, Padock...

Dafne – Quando você se dedicou, quando você optou pela música ficou um tempo…
Taubkin – Fiquei uns oito anos sem mexer com projetos.
Tacioli – Sem mexer com produção.
Taubkin – Sem mexer com nada com produção. Produção voltou quando estava tocando à noite, em 1984, então comecei a tocar à noite em 1981,19 82, e aí ele tinha perguntado onde toquei à noite. Toquei onde todos tocavam: Baiúca, Padock, lugares que abriam e fechavam, que tinham um piano-bar-restaurante, um universo que tinha um mercado grande na época em São Paulo. Havia uns 30, 40 lugares em que você podia tocar, bar de hotel, coisas assim. E foi uma coisa que adorei fazer, primeiro porque adorava jazz. E podia tocar essa música, e toda noite. Então ia feliz. Às vezes sentia dificuldade de relacionamento, era um lugar muito estranho pra músico, com garçom, maître, sabe.
Ângulo – Muito barulho no bar.
Taubkin – Isso não me incomodava, curiosamente não. Não tinha expectativa de tocar pras pessoas. Isso não existia pra mim.
Dafne – Era uma viagem sua.
Taubkin – Minha. Você sabe que teve época em que descobri um jeito, uma freqüência em que ficava tocando, e que era um som agradável para as pessoas, e pronto. Aí me libertei, porque tocava o que queria e aquela freqüência estava boa pras pessoas. Eu podia tocar uma hora a mesma música, sabe, e estava bom, era aquele clima. Aquilo estava bom, que elas não vão ouvir mesmo, e estava ótimo pra mim. É gozado, não é uma coisa de Poliana, mas conseguia ser feliz nesses lugares. O que me fez trocar, a ver vários lugares, era essa coisa assim… Sempre fui muito… Acho que tem a ver com a minha rebeldia desde moleque, é essa coisa do lugar, da posição, do respeito. Então se alguém era mal educado eu reagia. Então me lembro que uma vez, curiosamente era um lugar onde os músicos muitas vezes se sentiam humilhados, isso me doía, e eu falava não, não vou me humilhar. E até queria poder estimular os outros a não se humilharem. Isso era uma coisa meio maluca de acontecer nesses lugares, mas acontecia. E era isso, às vezes, que me punha em guarda assim. Eu cheguei a tocar em um mês em três lugares, porque a relação não era boa, e eu falava pro cara, até logo, não é esse tipo de relação que eu quero ter, coisas assim. Mas a questão musical, pra mim, não era um problema, eu curtia, eu super curtia e fazia com prazer. Depois quando parei e comecei a fazer outras coisas eu achei ótimo ter parado. Mas o tempo que toquei foi uma ótima experiência, foi ótima.

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