gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Benjamim Taubkin

O pianista e produtor Benjamim Taubkin. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Benjamim Taubkin

parte 10/34

A Ópera do Malandro foi o meu primeiro trabalho em SP

Tacioli – Onde você tocava? Qual era o circuito?
Taubkin – Então, comecei a fazer isso em 1981, 1982, quando fui me profissionalizar. Quero dizer, um pouco antes fui me profissionalizar como músico. Mas ainda não tocando a noite. Acho que o primeiro trabalho organizado que tive foi a peça Ópera do Malandro, do Chico Buarque, quando estreou em São Paulo. Foi o meu primeiro trabalho. E foi muito engraçado, porque eu não lia (partitura). Fui autodidata. E foi uma surpresa ter sido chamado. Ligaram em casa, me convidaram pra tocar, mas quando vi as partituras, agradeci o convite e fui embora. “Olha, obrigado, mas não tenho a menor condição de fazer isso aqui!” As pessoas tentaram me demover, mas falei: “Olha, não dá. Eu não leio música, não dá!”. E foi engraçado porque na época estava tentando parar de fumar – comecei a fumar muito cedo. Estava fumando cachimbo pra parar de fumar cigarro. Mas fumava cachimbo tanto quanto cigarro. Fumava no ponto de ônibus, fumava em qualquer lugar. E aí voltei porque havia esquecido o cachimbo. Aí o povo falou: “Pô, Benjamim, fica aí, meu! A gente vai ler pra você”. Fiquei. Foi uma experiência ótima! Super bacana! Outra experiência maravilhosa, e à qual sou completamente grato, foi tocar com dança contemporânea. Em tudo isso eu estava começando a tocar. Eu tinha começado com 18, 19 anos, fazia esses projetos, que era uma coisa que estava dando muito certo pra mim; eu podia viver disso. Mas aí eu tive uma crise. “Não, eu vou ser músico, eu quero ser músico, eu não quero mais fazer produção, eu quero mergulhar na música!” Se me chamassem pra tocar em baile, iria. Eu queria tocar. E uma coisa que apareceu foi dança. Tinha um amigo músico que hoje mora em Campinas, o Bebeto, que é um ótimo pianista, e eu gostava muito de vê-lo tocar. [ n.e.: Arno Roberto Von Büttner integrou o grupo Bossa Nova Paulista, Solar Trio (com Jayme Pladeval, bateria, e Zé Alexandre Carvalho, baixo), além de ter acompanhado muitos nomes da mpb ] Ele falou: “Benjamim, estou me mudando pra Campinas e vou te passar o meu trabalho”. “Que bacana! Vamos lá!” E aí fui. Era piano e bateria, uma formação da Martha Graham [ n.e.: Famosa coreógrafa, professora e bailarina norte-americana (1893-1991) conhecida como a mãe da dança moderna ]. Não tinha contrabaixo. A professora que dava aula – Ruth Rachou [ n.e.: Bailarina pioneira da dança moderna no Brasil; integrou o histórico Ballet IV Centenário e criou em 1972 oEspaço de Dança Ruth Rachou ] – mostrava o passo e eu compunha uma música na hora, entendeu? E aí saía tocando e tinha que funcionar. No começo foi uma tragédia!
Tacioli – Os dançarinos…
Taubkin – Nossa, queriam me matar. No fim da aula tinha a diagonal, que é quando o cara sai correndo e dá um passo mais longo, e aí você faz, por exemplo, “trrrram”, né? E eu fazia o contrário, “trrrrum”! Em vez de empurrar pra cima, empurrava pra baixo. Coisas assim, sabe? Ao mesmo tempo em que um cara que adorou (me ver tocar) e me deu uma força. Falava que era o máximo, que estava tudo ótimo. Eu tocava em três, quatro aulas. E fui entrando nessa. Fiquei cinco anos fazendo isso. Um ano foi difícil, os outros quatro foram maravilhosos. Talvez eu não consiga lembrar uma experiência tão prazerosa como musicar isso. E era solar, era de dia, pura música… Foi uma coisa muito, muito bacana. E aí, no meio disso, fui tocar à noite. E também foi engraçado… Posso acender essa luz também, quer?
Ângulo – Eu quero.
Taubkin – Claro, claro. (…) Estragou? (referente à fita-cassete)
Tacioli – É, mastigou.
Dafne – Vou pegar o meu para ficar como backup.
Taubkin – Querem tomar alguma coisa agora? Vamos?

Tags
Benjamim Taubkin
de 34