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Entrevistas de música brasileira

Benjamim Taubkin

O pianista e produtor Benjamim Taubkin. Foto: Fernando Ângulo/Gafieiras

Benjamim Taubkin

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Cruza, cabeceia e defende

Estávamos naquela correria habitual para achar o endereço e chegar no horário para a entrevista com Benjamim Taubkin quando uma forte chuva desabou sobre o Butantã, bairro da Zona Oeste de São Paulo. Um pouco adiantados, e sem enxergar nada por causa do tempo fechado, estacionamos os carros no começo da rua do pianista, arranjador e compositor, e esperamos. Quando a chuva diminuiu conseguimos ver que a rua sem saída e repleta de sobrados parecia um improvável oásis de tranqüilidade numa cidade tão conturbada. Tocamos a campainha e Taubkin abriu os braços.

Criador da gravadora Núcleo Contemporâneo, especializada em música instrumental brasileira, e fundador da Orquestra Popular de Câmara, o paulistano vem de uma carreira sui generis, afinal começou a tocar piano aos 18 anos e até então seu ouvido possuía somente referências roqueiras (Rolling Stones, Led Zeppelin e Cream). Hoje, aos 52, Taubkin é reconhecido por uma ligação íntima com vanguardas e tradições instrumentais nacionais que vão do choro até Arrigo Barnabé e além.

Na sala de sua casa, discos, livros, DVDs e objetos dos quatro cantos do mundo (o homem de sobrancelhas rebeldes viaja bastante) dividem espaço com um piano de cauda, clássico e preto. Nesse ambiente montamos o circo gafieirístico de registro com câmeras e gravadores, e apertamos o REC para captar a fala mansa e o raciocínio cristalino de um dos artistas e produtores mais ativos, engajados e discretos do mercado.

A chuva já não era mais um problema sobre nossas cabeças e a entrevista se estendeu por toda a tarde, com direito a uma pausa para sucos e pães de queijo. Lá pelo final, após atravessarmos todo tipo de assunto, Taubkin levou a equipe do Gafieiras por uma viagem por sons da América do Sul e Central (e olha o rap em Belize, o pop na Argentina e o batuque na Colômbia). Além de todo seu trabalho pela música instrumental brasileira, o músico une pontas soltas de uma nova utopia cultural para a América Latina. Quem for hermano, ouvirá.

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