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Entrevistas de música brasileira

Antônio Vieira e Riachão

Detalhe da mão de Antônio Vieira. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Antônio Vieira e Riachão

parte 7/32

A função da música é tornar a pessoa melhor

Tacioli  Mudou muito o Maranhão da juventude do senhor pra hoje?
Vieira  Como todo, tudo tem progresso, né? Na natureza nada estaciona, tudo é progressivo. Mas muita coisa que nós ainda conservamos, aquele tradicionalismo, principalmente a minha geração, a mais velha, né? Agora a geração mais nova é fazer rock, samba-rock, samba-reggae, samba-rap, samba não-sei-o-que, que eu acho que não é essa balada. Tem um ali que gosta pelo menos de samba-reggae; eu não gosto. Esse também acho que não gosta. [rindo e apontando para o Riachão]
Riachão  Não, não gosto.
Vieira  Eu só admito a música moderna se ficar melhor do que aquela de antigamente. “Não, mas é preciso mudar! Modernizar a música!” Pra pior, eu não admito. Tem que ser pra melhor. Não sei se o Riachão pensa como eu.
Riachão  Ah, penso. [ri]
Vieira  É moderno? É. É melhor do que o antigo? Vocês são melhores que um Pixinguinha, melhores que um Ary Barroso, melhores que um Noel Rosa, melhores que um Assis Valente? São? Não são. Então não presta. Tem que ser melhor do que esses pra prestar.
Tacioli  Mas, Seu Vieira, a música tem uma função na vida das pessoas?
Vieira  Tem, eu acho.
Tacioli  Qual é essa função?
Vieira  Tornar a pessoa melhor. É difícil se encontrar um músico criminoso, é difícil. Músico mesmo é sempre uma pessoa melhor, porque a música tempera a alma do indivíduo, torna ele mais manso, mais acessível, mais humano. É o meu ponto de vista, né? Podem não concordar, mas cada um de nós é um mundo diferente, né?
Tacioli  Mas para o ouvinte, qual função que a música exerce?
Vieira  Vou dizer uma frase interessante pra vocês. O pobre quer ser rico. O rico que ser nobre. O nobre quer ser rei. O rei quer ser artista. O artista quer ser deus. Então, depois de Deus são os artistas, o resto é o resto. [risos] Sem ofender ninguém que esteja aqui, né? É um ponto de vista meu, né? [risos] Todos vocês acharam graça! Eu tenho uma visão meio chocante, mas é da minha formação. [risos]

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