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Entrevistas de música brasileira

Antônio Vieira e Riachão

Detalhe da mão de Antônio Vieira. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Antônio Vieira e Riachão

parte 6/32

Sempre fui solitário!

Seabra – O senhor não gravou, mas a música estava muito presente no seu dia a dia. Como era isso?
Vieira  A música é a minha distração. Chego do meu trabalho, pego meu violãozinho e vou para meu quarto.
Seabra  Mas sempre foi uma coisa mais solitária ou o senhor era um músico que era conhecido ali?
Vieira  Não, quero dizer, o meio musical me conhecia, mas sempre fui solitário. Tanto prova que eu tive poucos parceiros, né? O parceiro que eu tenho, o melhor que tenho, quero dizer, o maior que eu tenho é um moço chamado Pedro Giusto, que é descendente de italianos.
Seabra  E ele fazia letra?
Vieira  Ele é mais letrista. Sempre trabalhei só.
Seabra  Mas mesmo para apresentar essas músicas, vocês não se reuniam em casa pra tocar? Não havia esse tipo de coisa?
Vieira  Não, não. Eu fazia um trabalho com aqueles grupos musicais, né? Nós tínhamos um grupo de chorinho. Tocamos sete anos juntos. Eu era um dos percussionistas. Éramos em dois percussionistas. Esse Ubiratan Souza, que vocês vão entrevistar, era o diretor artístico desse grupo.
Tacioli  Como se chamava esse grupo?
Vieira  O grupo se chamava Tira-Teima. [risos] Era bom. E tanto que quando toca um choro, eu digo, “Olha, não tem um choro no Brasil que eu não conheça, que eu não tenha tocado”. Porque nós tocávamos todos, fora os da terra mesmo.
Tacioli  No Maranhão tem muito choro?
Vieira  Muito, tem 12 grupos de choro. Um é o que eu não faço parte mais, é o Tira-Teima, e o outro é o Grupo Pixinguinha, especializado só em choro.
Tacioli  E o grupo Tira-Teima tocava música do senhor?
Vieira  Tocava alguma coisa.
Tacioli  Tem uma diferença do choro do Maranhão pro choro carioca, para o choro paulista?
Vieira  Não, não tem diferença, não.
Tacioli  Não tem um sotaque?
Vieira  Não, não. A gente segue a linha dos velhos.
Tacioli  Mas o samba produzido lá pelo senhor possui algo diferente? O senhor nota isso?
Vieira  Tem, tem diferença.
Tacioli  E qual é?
Vieira  Vocês vão ao show? É só ouvindo, não dá pra falar. Tem um diferença, que quem é músico sente. Não é melhor, nem pior do que a música baiana, nem a paulista, nem a carioca, nem mineira, mas tem sua linha, né?
Seabra  Mas tem uma utilização de outros instrumentos?
Vieira  Não, em grupos musicais, não. Utiliza-se o que todo mundo usa aqui. Agora, no Carnaval, nós temos diferença. Temos os blocos chamados Bloco de Índio, que são uns tambores grandões pendurados no pescoço que o pessoal toca. E todo mundo batendo diferente. Quem vai lá é quem sente; quem já esteve lá é quem sente isso.

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