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Entrevistas de música brasileira

Antônio Vieira e Riachão

Detalhe da mão de Antônio Vieira. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Antônio Vieira e Riachão

parte 3/32

A Alcione gravou pouca música do Maranhão

Seabra  E nesse cofo havia músicas com as letras e partituras?
Vieira  Não, as partituras não tem. Tem somente a parte musical. Agora, tem as letras e as entrevistas das pessoas que conheceram meu trabalho, que prestaram depoimento, né? Um livro grosso. Agora, esse livro é interessante porque as letras estão por ordem alfabética. Você quer ouvir assim: “Balaio de Guarimã”. Letra B, está no CD tal, número tal.
Tacioli  E dessas músicas todas, Seu Vieira, quantas foram gravadas anteriormente?
Vieira – Olha, fizemos um CD chamado Antoniologia Vieira que foi gravado por 16 cantores do Maranhão. Eu não cantei pra dar a oportunidade a essas pessoas gravarem. Foi produzido por um rapaz que é pianista e engenheiro, mas é invocado com música. O nome dele é Adelino Valente. Ótimo pianista, bandolinista, violonista, mas é também professor de Matemática da Universidade do Maranhão e da escola que, antigamente, se chamava Escola Técnica Federal. Ele não tem tempo pra se dedicar à sua música. Mas é louco por música.
Seabra  Mas antes da década de 90 teve alguma gravação do senhor?
Vieira  Não, não, praticamente não, porque os compositores e os intérpretes radicados no sul do Maranhão nunca deram valor pra música maranhense. Essa é a verdade! Tivemos numa época passada o Nonato Buzar, que foi diretor musical de novela. Foi feita aquela novela Irmãos Coragem. As músicas que estavam lá eram do Nonato Buzar, que é maranhense. Esse pessoal cuidava do deles, nunca cuidou do Maranhão. Mesmo a própria Alcione, que é um nome nacional, gravou pouca música do Maranhão. Gravou mais música do Rio de Janeiro. Agora, o Maranhão está tomando iniciativa de…

Capa do CD Antoniologia Vieira. Foto: reprodução

Seabra  E aí você vê a importância do trabalho do Zeca Baleiro, da Rita Ribeiro?
Vieira  Ah, foram essas duas personalidades que trouxeram a música do Maranhão, Zeca Baleiro e Rita. E tivemos a felicidade, há três anos, do maior prêmio de música, que você sabe que é o Sharp, ser dado ao Maranhão, por intermédio de duas pessoas: primeiro lugar, Zeca Baleiro, e em segundo lugar, Antônio Vieira. Aí eu disse: “Vocês estão vendo? A música do Maranhão pode não prestar, mas nós fizemos barba e bigode na música nacional”.

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