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Entrevistas de música brasileira

Antônio Vieira e Riachão

Detalhe da mão de Antônio Vieira. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Antônio Vieira e Riachão

parte 2/32

Um dia o Brasil vai conhecer o meu trabalho

Tacioli – Chegou a extensão! Vamos parar um pouco. A gente já começa.

[Riachão chega cantarolando]

Vieira – Isso aí é um dínamo. Isso não pára!
Tacioli – Seu Vieira, o senhor pode colocar o microfone, por favor?
Vieira – Fica mais perto, né?
Tacioli  O senhor prefere Seu Vieira ou Seu Antônio?
Vieira  Eu sou Vieira mesmo. E, como pouca gente sabe, o Vieira é um marisco, né?
Seabra  Eu não sabia, não.
Luiz Paulo Lima [explicando para Riachão] – Vai começar pela banda de lá, passando pelo Maranhão, aí vem pro lado de cá. É isso?
Riachão  Os técnicos são quem mandam, os catedráticos deste ambiente que engrandecem o artista. [risos]
Tacioli  Então, Riachão, a gente vai começar com o Vieira, e daqui a pouco a gente chega a você, está bem?
Riachão – Certo! Cada macaco no seu galho. [risos]
Tacioli – Vocês já estavam conversando…
Seabra  Ele estava contando que gravou de uma batelada só 327 músicas dele, num trabalho patrocinado pela Vale, né?
Tacioli  Quando foi gravado, Seu Vieira?
Vieira  Foi gravado agora, no fim do ano. E foi lançado lá no Maranhão. O projeto foi feito e enviado para a Vale. Ela julgou o projeto, não foi validado e aí foi transferido pro Rio de Janeiro. A diretoria submeteu o projeto aos técnicos, que o aprovaram. Aí o trabalho foi feito. Ele está em uns estojos grandes que serão distribuídos para as bibliotecas e para as entidades em todo o Brasil. Um estojo grande, composto por 18 CDs, por um livro grande, tudo em material especial, na qual você tem, por ordem alfabética, todos os nomes das músicas gravadas no CD; e noutro livro todas as letras.
Tacioli  Seu Vieira, o senhor tinha tudo isso guardado?
Vieira – Não. Eu comecei a compor com 16 anos de idade. Então eu tinha, como chamamos lá, de brincadeira, um cofo com as músicas esperando a oportunidade. Porque eu não sabia se vinha dar nisso que deu. Mas eu tinha a esperança. “Um dia, talvez, o Brasil vai conhecer o meu trabalho!” Fui guardando, guardando, guardando… Teve uma escolha de uma nova diretoria para a Ordem dos Músicos do Brasil, e eu fui escolhido para fazer parte dessa diretoria. Sou o tesoureiro da Ordem dos Músicos do Brasil, seção do Maranhão. E o presidente da Ordem é dono de uma gravadora do Maranhão, que é a Fox Publicidade. Então, ele vendo meu trabalho, ofereceu, “Ô, Vieira, como gravar custa dinheiro, custa hora de estúdio, tudo é caro, eu ponho o estúdio a sua disposição… Na hora em que não tiver trabalho nenhum, tu pega o teu violão, entra no estúdio e vai gravando as músicas”. Levei uns sete meses gravando. “Olha, hoje não tem ninguém pra gravar. Antônio Vieira é o dono do estúdio.” “Amanhã não pode, tem gravação. Mas depois de amanhã tem só a tarde.” E eu, ripa na xulipa, gravava. E assim se fez a obra, né? Eu escolhi as 327 que eu achei melhores, e deixei um resto de lixo pra lá.

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