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Entrevistas de música brasileira

Antônio Vieira e Riachão

Detalhe da mão de Antônio Vieira. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Antônio Vieira e Riachão

parte 27/32

Carnaval é gozação

Vieira  Uma vez eu fiz uma música de Carnaval no Maranhão, no tempo da eleição. Era mais ou menos assim: [canta em ritmo de marcha] “Lá vem a corriola de puxa-saco, marreteiros e cartola / Lá vem corriola / Quem conhece (…) / Faz o povo não dar bola / Pra ele não tem polícia / Não tem justiça / Não tem mais nada / (…) / Eu nunca vi tanta gente descarada / Lá vem! / Lá vem”. [risos]
Riachão – Então, é isso aí, é Carnaval.
Vieira  Carnaval é isso, na política, a gozação. No Maranhão tinha um cara que queria ser gaúcho, com um bigode que virava assim, né? E uma vez eu fui passando e ele estava entre a porta, capinando… Esse cara é um gozador. E falei, “Vou fazer um trabalho pra esse velho!”, disse pra turma. “Vou pensar…” E falaram, “Esse velho é metido a conquistador. Só quer menina nova!” [canta] “Lá vem seu bigodudo / Muito sereno, muito sisudo / O homem é tão cabeludo / Que o bigode cobre a boca cobre tudo / Cuidado, menina sapeca, não vá afobar com a jogada / Pois esse tal bigodudo / Quase no fim não é de nada / Ele é só de conversa / E não aguenta a parada / O beijo do bigodudo arranha a cara / Não é beijo é bigodada”. [risos] Isso é gozação, e não somente do Carnaval, mas do samba.
Riachão – Mas isso que eu falo… Como aqui no Rio de Janeiro, com essas músicas maravilhosas, de crítica, mas tudo na base do Carnaval. Então é isso que eu não vejo hoje. Eu discordo profundamente dos carnavais de hoje. E aí vou pegar a passagem da escola de samba aqui do Rio de Janeiro pra matar a minha saudade de lá, porque o Carnaval da Bahia já era.

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