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Entrevistas de música brasileira

Antônio Vieira e Riachão

Detalhe da mão de Antônio Vieira. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Antônio Vieira e Riachão

parte 22/32

Eu bebia, mas cumpria a minha obrigação

Tacioli – Trinta anos ali, Riachão, sempre cantando música sertaneja?
Riachão – Não. Fui cantando no começo. Em dado tempo, eu cantava também meu chorinho sertanejo, umas músicas que eu fazia, uns ranchozinhos, “Linda Morena”. [canta] “Ô minha linda morena / Eu tenho pena de te…” E assim por diante… No decorrer do tempo veio o nosso querido Antônio Maria para ser o diretor. Eu ainda estava cantando música sertaneja. Mas com um caso, que eu sempre conto, meus companheiros tomavam muita cachaça. Eu bebia também, mas cumpria com a minha obrigação do horário. A gente abria o rádio de manhã cedo, cinco horas da manhã.
Tacioli  Você ia direto da noite pra rádio, Riachão?
Riachão  Cinco da manhã. Não, aquele era o horário de iniciar o programa, mas os meus companheiros, que a gente fazia muita farra, na hora do programa de manhã, eles faltavam. Eu tinha que ir buscar eles, porque quando eu chegava no rádio que não via eles, eu já ficava com medo. E muitas vezes eu fui buscar eles. Estavam cheios de cachaça, mas tocavam bem comigo. Mas a coisa não deu mais, porque teve um outro programa, e eu cheguei com Antônio Maria, “Eu não pude trazer o companheiro, porque está lá ruim.” Ele aí sentiu com isso, gostava muito de mim, disse, “A partir de hoje você não vai mais trabalhar de dupla. Você vai trabalhar sozinho. Você tem capacidade pra isso”. E aí eu entrei, continuei cantando. Aí saíram os sambas que eu tinha e fui jogando no ar. “Cada macaco no galho”, …

Capa do LP Samba da Bahia (1973), que reuniu Riachão, Batatinha e Panela. Foto: reprodução

Tacioli  É dessa época?
Riachão – É. Essa música é velha. “Cada macaco no seu galho”, “Pitada de tabaco”, “Fofu”, “Ousado é mosquito”.
Tacioli  É tudo dessa época?
Riachão  Tudo isso.
Tacioli  Década de 50?
Riachão – Cinquenta, essas músicas são baseadas nessa época.
Tacioli  Mas até então, Riachão, você não havia gravado nada em disco?
Riachão  Não, não. Eu comecei a gravar muito tarde, já velho. Foi o primeiro disco foi Samba da Bahia, não me lembro nem a data. Ele está aí gravado, Samba da Bahia foi o primeiro. Década de 70, né? A turma conhece mais, está mais por dentro do que eu. Aí comecei a cantar. “Cada macaco no seu galho”, “Retrato da Bahia”, tudo isso eu cantava no rádio. Eram as minhas músicas. Eu era muito querido por causa dessas músicas, “Ousado é mosquito”. Eram umas músicas que o povo gostava quando eu cantava. Deixei de cantar toada e comecei a cantar essas músicas.

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