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Entrevistas de música brasileira

Antônio Vieira e Riachão

Detalhe da mão de Antônio Vieira. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Antônio Vieira e Riachão

parte 20/32

Chegou um mensageiro com uma camisa de Pelé

Tacioli – Em relação a São Paulo, o que você se lembra, Riachão?
Riachão – Estive em São Paulo pela primeira vez graças a uma reunião realizada pela Rádio Sociedade da Bahia. Meu caso todo é sempre música. Eu vim em um ônibus. E, no caminho, Jesus mandou um samba. Esse samba homenageando São Paulo, homenageando Pelé. Foi uma felicidade pra mim porque São Paulo nesse tempo não era o São Paulo de hoje, era um São Paulo do trabalho, um São Paulo coisa séria, que não quer saber de orgia, de madrugada, nada. Nós entramos aqui com o samba quente. [canta e batuca] “Pela primeira vez que eu cheguei / Em São Paulo da garoa / Pela primeira vez que eu cheguei / Gostei, constatei / Que a terra é boa / Pela primeira vez que eu cheguei / Em São Paulo da garoa / Pela primeira vez que eu cheguei / Gostei, constatei que a terra é boa / É ou não é? / É [coro] / É ou não é? / É [coro] / Olha a grande São Paulo/ Tem garoa e café / É ou não é? / É [coro] / É ou não é? / É [coro] / Olha a grande São Paulo / Tem garoa e café / E até tem Pelé / Diz aí! / Pela primeira vez…” Isso entrou nessa cidade, numa madrugada quente, um batuque gigante dentro do ônibus… Causou admiração no povo paulista, que não estava acostumado com essa “zoadeira”, com essa falta de sossego. [risos] Então, noutro dia, a imprensa falava sobre essa chegada, dessa zoada aqui em São Paulo. “Quem foi?” Procurou saber. “Era o Riachão que veio nesse meio cantando uma música em homenagem a São Paulo e a Pelé.” Caiu no ouvido de Pelé. Quando nós estávamos no hotel, onde também foi armado um show no jardim, chegou um mensageiro com uma camisa de Pelé, autografada por ele. Eu ainda tenho essa camisa em casa e a guardo com todo carinho. Pelé autografou a camisa e mandou como presente para mim. Eu fiquei muito feliz! Quero dizer, dessa passagenzinha ainda me lembro. E outras coisinhas.
Tacioli  O que te impressionou em São Paulo quando você baixou aqui pela primeira vez? Qual imagem você tinha de São Paulo?
Riachão  A imagem que eu tinha de São Paulo é que era muito fria. São Paulo não gostava de folia. É o que eu ouvia lá na Bahia. São Paulo era uma terra de trabalho. Paulista só pensava no trabalho, não na folia. Então, quando eu vim pela primeira vez, tive essa pequena confirmação, porque no outro dia a imprensa censurou a zoada e procurou saber quem foram aqueles que chegaram na madrugada fazendo a zoada, perturbando o sossego. Resultado: caiu no ouvido de Pelé, como eu disse a vocês. Pelé ficou satisfeito com a chegada do malandro enaltecendo São Paulo e a ele. Aliás, eu não o conheço. Teria o maior prazer em conhecê-lo. E outras vezes em que estive em São Paulo foram somente pra shows e apresentações, sempre me sentindo bem. A impressão daqui é a melhor possível: gosto muito dos paulistas, são educados, são gentis. Como também no Rio de Janeiro. Enfim, eu não me sinto mal nesses lugares onde eu chego. Gostaria de lembrar de todos os momentos de felicidade pra dizer pra vocês.

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