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Entrevistas de música brasileira

Antônio Vieira e Riachão

Detalhe da mão de Antônio Vieira. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Antônio Vieira e Riachão

parte 1/32

"Você tem fôlego pra gravar isso?"

[Dafne Sampaio e Sérgio Seabra conversam com Seu Vieira à beira-piscina enquanto Ricardo Tacioli procura uma extensão para o gravador de mini-disc]

Antônio Vieira – (…) Teve um concurso de folclore em Santos há uns 3 ou 4 anos, com todos os estados do Brasil. E nesse concurso tiramos o primeiro lugar com esse trabalho. (…) O pessoal não acredita em trabalho cultural. Foi uma luta pra fazer isso. Mas antes de fazer os discos, fizemos primeiro o livro, Pregões de São Luís, muito embora para as autoridades governamentais quase tem que se pedir esmola, mas o povo respondeu comprando. No dia em que lançamos o disco numa praça pública, vendemos perto de 80 livros. Só quem vendeu mais que nós foi o Ferreira Gullar, outro maranhense.
Dafne Sampaio  Esse disco foi gravado antes de O samba é bom mas foi lançado depois?
Vieira  É, foi lançado depois porque a empresa que lançou, que foi a Eldorado, fez depois. E isso aqui foi apanhado de uma gravação nossa mais antiga. E o outro, O samba é bom, que foi produzido pelo Zeca Baleiro, foi gravado ao vivo em teatro. Você conhece O samba é bom?
Dafne  Eu ainda não ouvi. Tenho apenas esse.
Vieira  Você tem amizade com o Zeca Baleiro? Pode ser que ele ainda tenha alguns. Não se encontra mais à venda; já esgotou. O pessoal compra por curiosidade. Agora vou lançar outro, esse que eu trouxe, que é o mais recente. Estará à venda no show.
Dafne  Qual é o nome?
Vieira  O nome é Os sucessos de Antônio Vieira, tá bom? Eu já fiz quatro discos. Esse foi patrocinado pela Vale do Rio Doce.
Dafne  Está saindo como independente?
Vieira – É. Eu trouxe alguns porque eles me deram poucos, mas eu mandei fazer 5 mil pra eu distribuir e vender. E está saindo bem. Agora a Vale fez um estojo com a minha vida toda. Eu gravei 327 músicas. Talvez nunca ninguém tenha gravado numa paulada tanta música como eu. Então, o estojo é uma caixa grande que tem todas as letras, todas as crônicas das pessoas que conhecem o meu trabalho e falaram a meu respeito, além de 18 CDs, com 327 músicas. Ninguém fez isso no Brasil, nem os mais famosos!
Dafne  Isso de uma tacada só.
Vieira  De uma tacada só. Patrocinado pela Vale do Rio Doce.
Ricardo Tacioli  E quantos exemplares foram feitos?
Vieira  Fizeram uns setenta, oitenta para serem distribuídos pelas bibliotecas e para outras as fontes de divulgação. E eu, fora compositor, culturalmente sou isso aí.
Sérgio Seabra  Tesoureiro?
Vieira  Da Ordem dos Músicos do Brasil. Se vocês quiserem se comunicar com a Ordem dos Músicos, setor do Maranhão, vão falar com o diretor, que é o produtor desse disco da Vale.
Seabra  E quando foi feito esse trabalho para a Vale?
Vieira  No fim de 2003. Foi lançado com show.



Seabra  Olha, estou lembrando o trabalho da reunião das músicas do Chico Buarque em oito CDs. Foram cento e poucas músicas.
Vieira  Eu gravei 327. Eu com um violão simples. Estão lá todas as letras. O álbum foi bem feito. Se você quer letra A, tem todas as músicas que começam com a letra A. Todas as que começam com a letra B; com a letra C. Agora, por exemplo, a letra “Amor de caboclo”, está no CD número tal. Você vai lá e a encontra.

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