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Entrevistas de música brasileira

Antônio Vieira e Riachão

Detalhe da mão de Antônio Vieira. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Antônio Vieira e Riachão

parte 18/32

A música vem de vez no meu juízo

Tacioli  Logo que nós chegamos, vocês estavam tomando café. O que vocês conversavam ali, você pode falar pra gente? Essa é a primeira vez que vocês vão tocar no mesmo palco, né?
Riachão  É, naturalmente para mim vai ser um grande prazer. Aqui em São Paulo tive momentos outros, mas a vida é sempre assim, aumentar, desenvolver. E dessa vez eu vim encontrar essa figura maravilhosa, o grande artista, sambista, de outras composições também, outros gêneros, o famoso Vieira. É para mim o máximo de felicidade essas duas crianças se encontrarem em São Paulo, um com 82 e outro com 84, se eu não estou enganado. [ri] E isso pra mim está sendo um grande momento. Ó, meu deus, eu gostaria de ter palavras carinhosas para dizer sobre esse encontro… Vocês, repórteres, que são a vida pura dos artistas, me perdoem, porque eu não tenho palavras pra dizer da satisfação que eu estou sentindo aqui nesta reunião de amigos, cantores, repórteres, produtores, empresários. Enfim, tudo de bom que existe na terra, artisticamente falando.
Seabra  Me diz uma coisa, Riachão, como a música entrava em seu dia a dia? Era mais clima de festa, era uma coisa como o Vieira falou, mais só pra você, como foi isso?
Riachão  Menino, não é à toa que eu disse pra vocês que eu estava vendo no Vieira a minha pessoa. É a mesma coisa. Riachão não pega um lápis para escrever nada. A música vem em mim através de um tema de uma coisa que eu vejo. Ela aparece assim. Vem de vez no meu juízo, como eu estava conversando ainda agora com um grande amigo, um cantor, que estava ali na sala, esqueço o nome dele agora.
Tacioli  O Otto?
Riachão – Otto? Otto. E assim eu digo a todos os meus amigos: em toda a vida, a música veio assim. Eu não me preocupo. Uma das músicas mais difíceis, maiorzinha, é a da Rainha Elizabeth, quando ela veio ao Brasil, mas as outras todas são simples. É “Cada macaco no seu galho”, “Pitada de tabaco”, “Fofu”, “Ousado é mosquito”, essas músicas são todas simples. Mas vocês encontram o princípio, o meado e o fim. Foi como o meu grande amigo Vieira falou, a simplicidade, as músicas simples ficam melhores pra nós, para alguém que não “altos conhecimentos” entender. Primeiro, eu não tenho condições de fazer música com palavras difíceis. Então, essas mesmas palavras simples o meu povo entende. É por isso que eu fiquei bastante feliz de ouvir a mensagem dele, de reportagem. Eu vi nele a minha pessoa.

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