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Entrevistas de música brasileira

Antônio Vieira e Riachão

Detalhe da mão de Antônio Vieira. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Antônio Vieira e Riachão

parte 17/32

Vou ouvir o que o Riachão vai dizer

Seabra – Agora, Seu Vieira, a gente vai pegar o Riachão, que está quietinho, louco pra falar.
Vieira  Que é um dínamo, um dínamo. Isso não pára!
Seabra  Então, apresenta o Riachão pra gente. Quem a gente vai entrevistar agora?
Vieira  Olha, fui conhecer o Riachão em pessoa agora, mas eu tinha visto algumas gravações dele. Ele tem talento. É bom. E tem uma coisa: passa toda uma simplicidade que deve caracterizar o bom compositor. O bom compositor não se mede pelas palavras difíceis que ele bota. Eu meço pela simplicidade de sua obra. E ele é um dos que admiro por causa disso.
Seabra  Nasceu feito também?
Vieira  Quem é bom já nasce feito! Quem quer se fazer não pode. Ele já nasceu feito. Acho que ele faz música desde meninice, né?
Riachão  É, com sua idade, 15 anos também.
Tacioli – Seu Vieira, o senhor pode passar o microfone para o Riachão?
Seabra – O senhor fica aqui com a gente?
Vieira  Vou ouvir o que o Riachão vai dizer. O sujeito que tem essa idade sabe muita coisa.
Riachão  E o mais interessante é que eu não tenho tanta coisa. É, isso é que é o mais interessante.

[Tacioli arruma o microfone junto à lapela de Riachão]

Seabra  Tá quietinho aí, Riachão?
Riachão  Como sempre quieto, aprendendo as coisas boas que Jesus comanda pra terra. Como agora, eu aprendi tanta coisa. Estou aqui realmente emocionado com o que eu ouvi. Se vocês que estão me ouvindo acreditarem na palavra da pessoa, eu quase que não tenho o que falar sobre mim, porque o que eu ouvi dessa grande figura agora, eu vi o meu retrato, de sofrimento, de desenvolvimento artístico pela própria natureza deste grande homem que acabou de falar os dados da sua vida. Enquanto ele falava, eu estava vendo ele em mim, os próprios sofrimentos, os momentos de felicidade e, felizmente, nós estamos com a idade junta. Só podia acontecer isso. Tudo que ele falou ali eu estava vendo em mim. Só uma coisa diferente: é que eu não tive escola e ele teve. Mas para o lado da natureza criada por Jesus, eu vi nele o que eu vejo em mim.

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