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Entrevistas de música brasileira

Antônio Vieira e Riachão

Detalhe da mão de Antônio Vieira. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Antônio Vieira e Riachão

parte 16/32

Fiz o primeiro jingle para a Cola Guaraná Jesus

Luiz Paulo Lima  Posso fazer uma pergunta? Falamos de Deus aqui, mas lá no Maranhão Jesus é rosa, né? Conta essa história da Cola Jesus.
Vieira  Lá nós temos um farmacêutico-químico que criou várias coisas. E uma das coisas que ele criou foi um refrigerante que hoje é chamado Guaraná Jesus. Naquele tempo era Cola Guaraná Jesus, que ainda se vende por lá. Por muitos anos foi a preferência das crianças, porque era bonito, cor-de-rosa, tem um sabor adocicado, não sei se leva canela, não sei o que é. Foi ele quem inventou. Eu o conheci. O nome dele é Jesus não-sei-do-quê Gomes. Houve uma época de grande florescimento da industria dele, porque a família era abastada. Depois o velho morreu, e foram chegando essas empresas, como a Coca-Cola, que viu que Jesus tinha preferência local. Então comprou a empresa da mão dos filhos por não sei por quantos milhares de cruzeiros. Aí eu fiz o primeiro jingle para essa coca-cola.
Luiz Paulo Lima  Cantaí… cantaí.
Vieira – [canta] “Com o tempo quente ou frio / Tem bebida que faz bem / Para o adulto ou pra criança / Isto é sempre o que convêm / Então ouça o meu conselho / Que só bondade traduz / Sempre beba e ofereça / Cola Guaraná Jesus / Sempre beba e ofereça / Cola Guaraná Jesus!”. E as crianças: “iiii” [risos] Eu também sou bom de jingles. Fiz uma para a cerveja Antárctica. [canta] “Antárctica, Antárctica / Onde você esteja / Antárctica, Antárctica / No descanso ou peleja / Antárctica, Antárctica / Não lhe deixem hora e veja, / Antárctica, Antárctica / É a melhor cerveja”. [risos] Sou bom de jingles!
Seabra  Pagavam bem pelos jingles naquela época?
Vieira  Para teu governo, com o que ganhei com o primeiro jingle, que foi do Guaraná Jesus, deu para pagar médico para uma família que estava com seu chefe numa cama, a velha numa outra e o filho doente. Foi um dinherozinho. Deu pra pagar médico e a internação em hospital. Eu tenho a mania de ajudar aos outros. É uma das qualidades que eu tenho, ajudar aos outros.
Dafne  O senhor fez muitos jingles então?
Vieira  Não, não. No Maranhão pedia-se jingles pra São Paulo, pro Rio.
Dafne  Mas o senhor fez para outros produtos de lá?
Vieira – Não, porque o pessoal mandava fazer tudo fora. Você recebe a pampa. Eu fiz esses dois pra ver se eu tinha talento pra fazer jingles. Costumo experimentar as coisas. Acho que esses dons, deu pra vocês perceberem, têm algum valor.

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