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Entrevistas de música brasileira

Antônio Vieira e Riachão

Detalhe da mão de Antônio Vieira. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Antônio Vieira e Riachão

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Para qual lado você dribla?

Dois entrevistados de uma vez. Refém não da circunstância, mas da oportunidade, o Gafieiras propôs a entrevista conjunta, realizada primeiro com Mestre Antônio Vieira e depois com Riachão, terminando-a com os dois em volta da mesma mesa. Tal como aconteceria no show do projeto Sotaques do samba, tendo como anfitrião Zeca Baleiro, logo mais à noite daquele remoto 14 de fevereiro.

Unidos pela raiz musical comum, apresentaram-se na mesma ordem e encerraram o encontro, no segundo bis, com duas empolgantes marchas carnavalescas, que, enfim, levantaram o público – disciplinado a permanecer sentado e inquieto nas poltronas do Teatro do SESC Vila Mariana. Inseridas no show porque relembradas durante a entrevista, alegrou-nos ver no palco – e na reação da plateia – nossa pequena interferência.

Marchinhas de temáticas distintas, as destes dois senhores de formação diversa, mas de um sem número de pontos comuns. Se um é erudito e o outro, boêmio convertido, ambos começaram a compor aos 15 anos sem saber ler ou escrever música. Riachão compõe sem instrumento até hoje e Vieira começou a fazer uso do violão apenas perto dos 60 anos. O primeiro se vira com o pandeiro, o segundo domina o afoxé. A origem é apenas parecida: nordestina, sim; mas baiana e maranhense, respectivamente.

Ambos driblaram os muitos anos sem gravar a própria produção – que, no caso de Vieira, só foi acontecer após os 70 anos (ano passado, aos 83, registrou com voz e violão 327 músicas, reunidas em uma caixa com 18 CDs!). Riachão não esperou tanto, mas sua voz conheceu o LP somente na década de 1970, com seus quarenta e tantos.

A diferença de idade entre eles é de apenas um ano, sendo Riachão o mais menino. “Um dínamo”, como o definiu Vieira após passar com ele os poucos dias anteriores à entrevista e ao show. Complementares no temperamento, a seguir, um e outro relembram suas peculiares trajetórias como autores da música popular, vividas fora do eixo Rio-São Paulo.

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