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Entrevistas de música brasileira

Angela Maria

Ângela Maria por Thaís Taverna

Angela Maria

parte 9/11

Fiz 23 filmes

Tacioli – Angela, você falou da Dalva, que era seu grande ídolo. Na juventude, além dela, você tinha outros ídolos dentro e fora da música? E hoje?
Angela Maria – A Nora Ney e a Dalva eram as cantoras que eu mais gostava.
Tacioli – E fora da música, quem você admirava?
Angela Maria – Fora da música?
Tacioli – No cinema, na literatura, no teatro?
Angela Maria – A Bibi (Ferreira). Eu também gostava muito do Goulart.
Tacioli – Do Paulo Goulart.
Angela Maria – Paulo Goulart. Gostava muito. Cheguei até a trabalhar com o filho dele num show onde ele dançava com a esposa dele e, de vez em quando, o Goulart estava lá com a Nicete. Eu era fã dele, gostava muito dele.
Tacioli – E como essas outras linguagens artísticas, o cinema, o teatro, influenciaram a sua música? Elas chegaram a influenciar a sua música?
Angela Maria – Eu fiz muito cinema. Fiz 23 filmes cantando os meus sucessos.
Tacioli – Mas o cinema na sua música também teve?
Angela Maria – Não.
Lia Machado Alvim – No cinema você sempre foi Angela Maria ou teve algum personagem?
Angela Maria – Sempre Angela Maria.
Tacioli – E como você avalia a sua atuação no cinema?
Angela Maria – Horrível! [risos]
Pavan – Por que?
Angela Maria – Eu não gosto de cinema, de fazer cinema. Eu gosto muito de cinema, mas trabalhar no cinema, não. Eu fiz um filme no México em que eu era a estrela, mas nunca mais na minha vida eu quero saber de fazer cinema. Acho que vocês conhecem o filme, né?
Tacioli – Esse de Brasília?
Angela Maria – É, Rumo a Brasília. Foi o único que eu fiz com estrela. Os outros todos que fiz foram como participação especial cantando. Como estrela foi somente esse. [n.e. Referência ao longa-metragem O caminho da esperança (Rumo a Brasília), lançado em 1960 e dirigido por Mauricio de La Serna. Gravado no Brasil e no México, o filme contava com Angela Maria, Tonico Pereira e Antonio Aguilar]

Tacioli – E no cinema, o que você gosta ou gostava de assistir?
Angela Maria – Musical. Gostava muito de Esther Williams, ela nadava, sempre tinha aqueles shows bonitos. Eu gosto muito de musical.
Lia Machado Alvim – Você fez uma turnê para Portugal e ficou um tempão lá. Havia solidão nos intervalos entre um trabalho e outro? Como era a rotina de uma cantora que sai de seu país para cantar em outro?
Angela Maria – A rotina era: tinham os ensaios, eu tinha que ir à televisão, dar entrevistas, eu quase não parava. Para dar entrevistas às vezes tinha que ir até Angola também. Eu tinha show em Angola. Eu tinha show na Espanha. Eu tinha uma vida muito corrida. Não tinha tempo de solidão, não, minha filha. [ri] E jantares e um monte de coisas.
Tacioli – Foi bom esse período em Portugal?
Angela Maria – Foi muito bom. Fiquei dois anos, depois voltei, fiz oito meses, depois voltei e fiz mais quatro meses, aí dei uma parada. Depois, a última vez que fui foi para receber um prêmio de melhor cantora escolhida por eles, pela imprensa, que me escolheu como a melhor cantora estrangeira. E eu tive que ir lá receber o prêmio.
Tacioli – Quando foi, Angela?
Angela Maria – Quando foi, bem?
Daniel D’Angelo – 82.
Angela Maria – 82. E agora estão me chamando de novo, né?
Daniel D’Angelo – Coimbra.
Tacioli – O que é essa história de Coimbra?
Angela Maria – Agora é você que fala. [ri]
Daniel D’Angelo – Show e homenagem.
Tacioli – Em Portugal você chegou a gravar discos, né?
Angela Maria – Eu tinha que gravar uma música de Carnaval e eu não viria ao Brasil para gravar. Então eles mandaram o playback e eu coloquei voz lá. “Sonho de Juvenal”, você conheceu essa música? (canta) “O sonho de Juvenal / É desfilar no Municipal”. [ri] Tive de colocar a voz lá. [n.e. “Juvenal do Municipal”, de Rutinaldo e Milton de Oliveira é a faixa de abertura do álbum Carnaval Copa 66, lançado pela gravadora Copacabana em 1965. O LP de 18 faixas ainda trazia outra gravação de Angela, “Eu vou sambar”, de Anísio Silva. Entre os intérpretes do disco estavam Chacrinha, Gilberto Alves, Costinha, Virgínia Lane, Roberto Audi, Carequinha e Jorge Goulart]
Tacioli – E você absorvia a música desses lugares por onde você viajava?
Angela Maria – Eu gosto muito da música portuguesa, tanto que eu canto música portuguesa. Lá eu fazia muito sucesso cantando música portuguesa. Não era tanto o meu repertório, era mais música portuguesa. Aliás, no meu repertório tem muita música portuguesa. O meu maior sucesso lá era cantando música portuguesa, fados. E eles são maravilhosos, têm um carinho pelo brasileiro fora de série.
Tacioli – Dos artistas de lá tem algum que você se lembra com quem você chegou a ter algum tipo de relacionamento profissional?
Angela Maria – Eu tive mais com a Amália (Rodrigues), que já morreu, infelizmente, e com a Simone, que é uma grande cantora portuguesa.

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