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Entrevistas de música brasileira

André Abujamra

André Abujamra por Dafne Sampaio

André Abujamra

parte 5/26

O Mauricio é um guerrilheiro ideológico. Eu sou um anarquista

Tacioli – Para os Mulheres, esse período de dez anos foi importante.
Abujamra – Ô, foi muito importante. Antigamente a gente tinha a coisa do sucesso, do pop, de fazer viagens, mas hoje eu tô cagando, CA-GAN-DO pra gravadora, eu tô cagando pra fazer ou não sucesso. Eu já fiz sucesso interior, cara! Para esse negócio de sucesso estou cagando mesmo. Três milhões e meio de pessoas escutaram a minha música no Carandiru. Então a minha música está lá, eu estou vivo, vocês estão aqui. Eu cago para esse papo de mídia, de gravadora… Estou cagando!
Dafne – Você não quer ser mais rico e xarope?
Abujamra – Bicho, eu já sou xarope! [risos] Eu sou rico do lado espiritual. A gente queria ser rico e xarope, mas a já éramos xaropes e não sabíamos. Eu tô cagando mesmo. Esse papo de leis, direito autoral… Você pode perguntar pra mim, mas a resposta é “eu tô cagando!”. Quer distribuir música? Distribuia. Quer gravar em gravadora grande? Grave. Não quer, não grave. Tem que fazer o que gosta. Você gosta de vender pipoca, meu? Vá vender pipoca. “Ah, não dá dinheiro!” Vá vender pipoca que é o que você gosta, cara! Eu sempre falo isso.
Tacioli – E você acha que o Mauricio tinha essa expectativa?
Abujamra – O Mauricio não liga pra isso também. Pra mim, para quanto mais gente eu passar a minha música, o meu amor, mais feliz vou ficar. O Mauricio também tem isso dentro dele. Ele é um pouco mais sério do que eu com essa coisa de gravadora. Ele é um guerrilheiro, né? Eu, não! Sou um anarquista. O Mauricio é um guerrilheiro ideológico. Eu, não, sou totalmente anarquista.

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Os Mulheres Negras
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