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Entrevistas de música brasileira

André Abujamra

André Abujamra por Dafne Sampaio

André Abujamra

parte 26/26

Meu pai jogou no juvenil do Internacional de Porto Alegre

Tacioli – O que você ainda não fez e tem vontade de fazer?
Abujamra – Dirigir um longa. Tenho um filho… Não plantei árvore, vou plantar… Acho que o livro, quando eu ficar mais velho, vou fazer também. Mas eu quero dirigir filmes… Meu negócio é cinema, viu? Já fiz 19 longas, trabalhei com muitos diretores diferentes e conheço o métier do cinema. Gosto de cinema. É uma arte que junta tudo… Artes plásticas, direção de ator, fotografia, música. É uma coisa que tem a ver eu chegar e fazer.
Tacioli – Mas é diferente do clipe?
Abujamra – Ah, diferente, o clipe é uma brincadeira, uma farra. Quando falo brincadeira… [dirigindo-se ao Tacioli]… Sei que você é o cara mais cáustico de todos aqui…
Tacioli – Não sou. [risos]
Abujamra – … Quando eu falo em brincadeira, sempre pense que tem um estofo por trás. A minha loucura tem fundamento, não é uma loucura adolescente. É loucura tresoitão, de tiozinho da Sukita, sabe? Tá [risos] Não sou anarquista porra-louca, sou anarquista porra-louca com estofo! [risos]
Max Eluard – E o Corinthians? Fica somente lá atrás?
Abujamra – Não, tá aqui dentro, ó! [bate a mão no peito]
Tacioli – Mas você vai ao estádio?
Abujamra – Ó, Coringão, meu! O único time pra quem todo mundo torce. A favor ou contra. Aposto que todo mundo aqui é palmeirense.
Max Eluard – Sou corintiano.
Tacioli e Almeida – Também.
Abujamra –
Ah, bom… [dirigindo-se a Rosselli] E você?
Rosselli – São-paulino.
Abujamra – Só podia. Cara bonitinha assim, bem vestido, bem comido… [risos]
Rosselli – Esse baixinho é viado! [risos]
Abujamra – Viado, não! Mas é são-paulino, né? Come bonitinho, vai comer no Fasano… [dirigindo-se a Dafne] E você, palmeirense?
Dafne – Flamenguista.
Abujamra – Ah, um carioca.
Tacioli – Mas você sofre com futebol?
Abujamra – Opa, sofro. Sou corintiano desde que nasci. E lá em casa é assim: meu pai é são-paulino, meu irmão é corintiano, eu sou corintiano, e minha mãe é corintiana. Meu filho é são-paulino, o viado, por causa do meu pai e do outro avó dele. Sofro muito porque meu filho é são-paulino. Tá com 8 anos já, não dá mais.
Max Eluard – Já o levou a uma psicóloga?
Dafne – Tortura…
Abujamra – Não dá.
Tacioli – E assistir futebol com seu pai…
Abujamra – É legal. Meu pai jogou no juvenil do Internacional de Porto Alegre. Ele entende de futebol, mas quem me levava pro campo era o meu tio Michel, que já faleceu. Ele morava perto do Pacaembu e a gente ia ver qualquer jogo. Vou jogar de novo no Rock Gol [n.e. Programa da MTV em músicos jogam futebol] deste ano. Eu, o Supla, o Beto Lee, um grupo de rap…
Almeida – Sorte que tem o Supla [n.e. Um dos melhores jogadores de todas as edições do Rock Gol ] no seu time, hein?
Abujamra – Olha, vou dizer uma coisa e vocês vão rir da minha cara… Eu jogo bem bola! [risos] É que eu sou gordo, canso rápido, mas se der uma bola no meu pé [risos]… O que atrapalha é o meu tamanho. [risos]
Tacioli – Falando de futebol, você participou do Boleiros. [n.e. Filme de Ugo Giorgetti] Como foi?
Abujamra – Foi muito legal. É um filme bem paulista, né? Não foi bem recebido fora daqui. Adorei. Fiz um pai de santo e fiquei com dor-de-cabeça umas duas semanas por fumar charutos.
Tacioli – Você já pensou em fazer alguma coisa com futebol?
Abujamra – Não. Uma vez fui ao Maracanã com o meu pai. Brasil e Uruguai. O Brasil perdeu de 1 a 0. [ri] Eu tava feliz pra caramba, porque nunca havia ido ao Maracanã… Penso em fazer uma coisa com futebol, pegar uns microfones, um helicopterozinho – acho que é meio impossível – e coloca-lo bem no meio do estádio, em estéreo… A gente nunca vai conseguir gravar aquilo lá do jeito que a gente escuta no estádio… Aquilo lá é maravilhoso… [toca o telefone] “Oi, tô quase acabando… Isso… tá, um beijo.”
Rosselli – That’s all folks!
Tacioli – Acho que é isso.
Abujamra – Fui delicado agora, né? Vou expulsar eles e tô indo… Mas eu ia falar um negócio. Vou patentear um negócio que é uma câmera na bola de futebol [risos] Vocês acham impossível, né? Todo mundo acha impossível. Mas imagina só… a bola vai ter que ser transparente e terá um sistema de steadycam [n.e. Sistema hidráulico que prende uma câmera ao corpo do cinegrafista possibilitando movimentos rápidos sem que a imagem trema] dentro da bola… Ia ser maravilhoso… Imagina o cara chutando e a bola… A bola fica rolando e câmera lá dentro fixa… Imaginem as imagens…
Max Eluard – Dá pra fazer isso no computador.
Abujamra – Pode?
Max Eluard – Deve dar.
Abujamra – Sabe o que eu vi na Internet? Não tem aquelas fotos em que você vê 360 graus?
Almeida – Sim.
Abujamra – Então, vi isso com um filme! Os caras inventaram uma câmera de DV que filma 360 graus. Vai mexendo o mouse. Mando o link pra vocês. Tchau! [risos]
Dafne – Vamos tirar umas fotos agora, André?
Abujamra – Sério? Vou te dar umas fotos, posso?
Dafne – Claro.
Abujamra – Ah, não vou te dar, não! [risos] Como você quer? Pelado?
Dafne – Não, pode ser vestido mesmo. [risos]

[começa, do lado de fora da casa de André Abujamra, a sessão de fotos que encerra a entrevista]

Abujamra – Foi bom, né?
Todos – Ô!

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