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Entrevistas de música brasileira

André Abujamra

André Abujamra por Dafne Sampaio

André Abujamra

parte 24/26

O ratinho da Folha é meu!

Tacioli – Mas esse sucesso lá não os estimulou a ficarem lá? Isso não chegou a passar pela cabeça?
Abujamra – Olha, a gente tinha uma turnê lá esse ano [n.e. 2003], mas foi cancelada porque acabou a banda. Os caras de lá ficaram maus. Havia cinco shows para 2004. Cancelados também. Fui macho pra caralho para acabar com o Karnak. Todo mundo foi bem…
Max Eluard – Mas a decisão foi sua, partiu de você?
Abujamra – Foi. Foi minha sim.
Tacioli – Como foi? Você chamou a turma numa sala…
Abujamra – Um dia eu acordei…
Max Eluard – … O sonho acabou.
Rosselli – Mas o que você chama de terminar a banda?
Abujamra – Você já foi casado?
Rosselli – Não, mas já tive um relacionamento longo.
Abujamra – Mas já morou junto?
Rosselli – Já, seis anos.
Abujamra – E como acabou?
Rosselli – Acabou amigo. Um certo dia não tinha mais a ver. Só que é o seguinte, há o tabu da fidelidade social, que é como se dissessem que eu poderia sair novamente com ela…
Abujamra – No Karnak o que acontecia é que durante o trabalho todo mundo já comia outras mulheres. [risos] E acabou porque a banda tinha muito a ver comigo e eu não me sentia a vontade de fazer um outro trabalho se o Karnak continuasse existindo. Eu precisei… Acho que é um ciclo, dez anos. A gente tava marcando o show de 10 anos. A gente vai fazer um show por ano, né? De aniversário. É que tava todo mundo chorando lá no show… Aí falei que iríamos fazer todo ano um showzinho de aniversário. Em dezembro. Mas sobre o que eu estava falando?
Rosselli – Sobre o término.
Abujamra – Acho importante saber acabar as coisas. Acho importante saber terminar. Terminar bem as coisas é muito importante. Com os Mulheres Negras também foi assim, tanto é que estamos aí tocando. A gente soube terminar.
Almeida – E o que você tá fazendo agora?
Abujamra – Eu tô fazendo a trilha do Cafundó [n.e. Filme de estréia do ator Paulo Betti na direção], tô fazendo publicidade pra caralho… [cantarola] “BCP, pode contar”, eu quem fiz… [cantarola] “Guaraná… Seja o que for, seja original, Guaraná Antartica”. Muita publicidade.
Rosselli – O texto é seu também?
Abujamra – Às vezes eu meto a mão. Quando vem meio estranho, meto a mão. O ratinho da Folha é meu… Eu meti um pouco a mão, fez um puta sucesso na época. Então, muita publicidade, Cafundó, tô preparando meu trabalho solo [n.e. O Infinito de Pé, lançado em julho de 2004]… Vou mostrar a trilha pra vocês.
Tacioli – Tem alguma previsão do solo?
Abujamra – Ano que vem, mas vou começar a tocar agora. Dia 21 de junho vai ter um show no Bixiga, lá no Villaggio. Será o primeiro do trabalho-solo.

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