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Entrevistas de música brasileira

André Abujamra

André Abujamra por Dafne Sampaio

André Abujamra

parte 22/26

Fui eu quem descobri o Fábrica Fagus

Tacioli – Mas falando de São Paulo… existe uma música paulistana? Dá pra falar nesses termos?
Abujamra – Cara, a gente tá fudido. O músico paulista é fudido, porque mistura muito. Então a gente não tem uma cara, e até se prejudica no Brasil por causa disso. A minha música mesmo, o Karnak, os Mulheres Negras, a gente mistura muito. E a mistura do paulista é muito louca, porque não mistura porque quer ser diferente, mistura porque ouve música caipira no radinho de pilha, música brega da empregada quando era pequeno, e Led Zeppellin que seu pai quando era hippie escutava. Então…
Rosselli – Mas será que de fora a moçada não consegue ver esse sotaque na música?
Abujamra – Não consegue, cara. As únicas bandas daqui que fizeram sucesso foram o Ultraje, os Titãs…
Dafne – O Ira!
Abujamra – O Ira! um pouquinho. E aqueles meninos que morreram que eu adorava, os Mamonas [Assassinas]… Pouca gente. Agora não sei se isso é ruim ou bom, mas é uma característica da música de São Paulo.
Tacioli – Desses artistas que são colocados como músicos de São Paulo quem você considera…
Abujamra – Mário Manga. Premê eu adorava. Quem mais? Fora os músicos instrumentais, né? O Pau Brasil, o Nelson Ayres com o Rodolfo Stroeter, o Paulo Belinatti… esses caras são mortais, bicho!
Rosselli – Quem você curtia na época dos Mulheres, nos anos 80? O Luni, o Fábrica [ Fagus], essas coisas…
Abujamra – Eu produzi, fui eu quem descobri o Fábrica, que hoje é o Caboclada, do Marcio Werneck. O que eu curtia nessa época, de brasileiro? O Luni, o Gueto…

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Os Mulheres Negras
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