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Entrevistas de música brasileira

André Abujamra

André Abujamra por Dafne Sampaio

André Abujamra

parte 21/26

Não vejo a hora de voltar pra essa fumaça maravilhosa

Tacioli – E sua relação com São Paulo?
Abujamra – Eu amo São Paulo, cara. Quando vou para o Rio de Janeiro a trabalho, não vejo a hora de voltar pra essa fumaça maravilhosa, esse caos. Eu amo São Paulo, sou apaixonado!
Almeida – Mas sua casa parece de cidade do interior.
Abujamra – Não é? E está do lado da Cerro Corá. Você dá dez passos e fica desesperado. Eu adoro!
Tacioli – Não te oprime?
Abujamra – Nem um pouco. Nova York, São Paulo, Tóquio, Cidade do México… Cê me atirou lá…
Rosselli – Você sobrevive.
Abujamra – … Tô em casa. Sou totalmente urbano, totalmente! E minha religião é da natureza, né? [ri]
Max Eluard – Mas, por outro lado, você precisa ir para a montanha…
Abujamra – Eu preciso ir pra relaxar, pra compor. Mas eu amo São Paulo. Vivi no centro da cidade, estudava na Praça da República – Caetano de Campos. Eu ia a pé de casa para o Caetano de Campos. Conheço… Rua Direita… Ia comprar mágica lá. Eu era mágico…
Almeida – Sou fascinado por mágica. Descobri uma loja na Rua Augusta que vende muitos truques.
Abujamra – Na Rua Augusta? Você tem que ir na 25 de Março, cara. Eu era mágico profissional.
Tacioli – Mas você tinha algum nome artístico?
Abujamra – Não. Eu era moleque. Fazia mágica pra minha mãe. Colocava pólvora quando ela chegava… Eu amo mágica, cara! O Roger, do Ultraje, é mágico. Cês conhecem o Zezinho Mutarelli?
Todos – Não.
Abujamra – Já ouviram falar? É um saxofonista, produtor musical. Ele é um puta mágico. Os caras ficam de queixo caído.
Tacioli – Você já utilizou a mágica em shows?
Abujamra – No Mulheres já. Inclusive quebrei a mão por causa disso.
Almeida – Fazendo mágica?
Abujamra – Andando de patins, cara!
Rosselli – E tocando guitarra?
Abujamra – Tocando guitarra. [risos] Tomei um cacete, quebrei a mão…
Rosselli – E aí?
Abujamra – E aí que isso fez adiar a turnê em um mês. O Mauricio brigou comigo… “Porra, gordo, cê entra de patins!”… [risos]
Max Eluard – Onde tem um banheiro?
Abujamra – Deixa eu te explicar. Sai aqui, primeira à direita, entra no quartinho. Daí outra à direita. Achou?
Tacioli – Mas qual era seu grande truque?
Abujamra – Era a da bola que flutuava.
Almeida – Ah, aquela bola que cê põe num fiozinho e ela flutua?
Abujamra – Ô cara, já falou o truque! [risos]
Dafne – Ele é daninho!
Abujamra – Não é um fiozinho, é a bola que flutua! Havia uma outra mágica que neguinho caía pra trás, que era um tubo de ferro em que você enfiava a mão, passava um copo com água e depois jogava a água dentro do tubo, e a água não caía. Aí você virava o tubo e a água caía de volta pro copo.
Daniel – Acho isso fantástico.

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