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Entrevistas de música brasileira

André Abujamra

André Abujamra por Dafne Sampaio

André Abujamra

parte 18/26

Que papo é esse de direito autoral?

Tacioli – E como você vê os artistas que aparecem na TV fazendo campanha contra a pirataria?
Abujamra – Aparecem porque vivem dessa grana. Meu, é o seguinte… vamos supor que você é um rei, um rei medieval… Não havia gravadora nessa época, certo? Aí você chega pra mim e fala… “André, faça um sinfonia! Haverá um baile hoje à noite e quero que você escreva pra mim uma música.” Eu escrevia a música e te dava. Você pegava e me pagava por essa música. Aí, ela era sua. Que papo é esse de direito autoral? Cara que compõe, que cria, que faz, faz outra e ganha por outra. Esses caras que reclamam disso, esses Metallica, reclamam porque ganham milhões em cima disso. Vão deixar de ganhar? Tenho até um pouco de medo de falar porque é mexer em vespeiro… O próprio Gil, que é o nosso ministro, que eu o amo, vai ser uma coisa complicada, porque ele também vive de direitos autorais. Então, uma coisa é rádio, que a gente tem que fazer alguma coisa. Tomara que meu neto, ou meu bisneto, não passe por essa vergonha que a gente está passando… É uma puta vergonha a gente ter que pagar uma puta grana pra tocar na rádio, meu! Tá errado! Rádio é uma concessão! Então me dê… Dê uma rádio pro Paulinho da Viola, uma pro André Abujamra, outra pro Mauricio Pereira. Vou tocar o que eu quiser e não vou cobrar pra tocar. Vou pagar até pra tocar! E a coisa da pirataria é outra. Pirataria é uma coisa muito delicada. Sou contra a pirataria do CD mesmo, isso eu sou contra.
Rosselli – Existe a máfia…
Abujamra – Isso. Que são outros filhos-das-putas. Mas essa coisa de MP3 é maravilhoso.
Rosselli – Mas hoje também as gravadoras e distribuidoras começam a ficar em segundo plano, porque já se consegue gravar um disco em casa com um Macintosh ou PC, e depois vendê-lo.
Abujamra – O Maurcio Pereira faz isso. É guerrilha.
Rosselli – Há muita banda hoje em dia que é conhecida via web…
Abujamra – Uma coisa é distribuição, outra é a gravação. Lançar disco por uma gravadora é uma coisa que está ficando velha.
Rosselli – A distribuição é uma necessidade.
Abujamra – Sim. Mas hoje em São Paulo tem uma distribuidora, a Tratore, que é boa pra caralho. O Fat Marley é da Tratore. Tem Fat Marley pra caralho por aí. Onde você quiser tem pra comprar. Coisa que na Warner não rolava, na época do Mulheres. O Mulheres você não achava… e era da Warner. E era mais famoso que o Fat Marley. O Fat Marley é uma viagem, né?

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