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Entrevistas de música brasileira

André Abujamra

André Abujamra por Dafne Sampaio

André Abujamra

parte 14/26

Ô, dá uma balinha dessa pra mim!

Dafne – Vi o show de despedida de vocês em Ribeirão Preto, no Teatro Municipal. Acho que vocês fizeram uma turnê de despedida pelo interior…
Abujamra – Fizemos.
Max Eluard – Com os Mulheres vocês acabaram sabendo que ia acabar.
Abujamra – Sabíamos que ia acabar. A gente somente não acabou antes porque estava com uma puta de uma dívida. Então, fizemos os shows para pagá-la. Eu sofri muito com o fim dos Mulheres.
Max Eluard – E com o Karnak, não?
Abujamra – Com o Karnak, não. Eu estava mais adulto, sabe?
Tacioli – Você já havia separado uma vez…
Abujamra – Várias vezes. Tenho três casamentos nas costas, né, mano. (…) Ô, dá uma balinha dessa pra mim! [risos]
Almeida – Só tenho essa. [risos]
Abujamra – Fica todo mundo comendo balinha na frente de gordo.
Rosselli – Eu tenho Halls.
Abujamra – Ô, descola aí. Todo mundo ficou triste, mas todo mundo sacou que estava na hora, também. Pô, o ciclo, dez anos, já havíamos feito muita turnê nos Estados Unidos, na Europa… A gente sacou que tava na hora. A gente tem saudade… O Hugo Japonês tem saudade, eu tenho… Somos muito amigos. Mas as coisas estão rolando. O Cabelinho… Vocês viram o trabalho do Cabelo?
Max Eluard – Não!
Abujamra – Ele tem negócio muito legal. Chama-se Sindicato do Groove.
Max Eluard – Ah! Sim.
Abujamra – É do Cabelo. Ele quem inventou isso aí. O Kuki [n.e. Kuki Stolarki, baterista, também toca no grupo Bojo] está com o Z4 que é uma banda de percussão de quem vou produzir o disco. O Hugo [Hori] toca no Funk Como Le Gusta. O [Marcos] Bowie está fazendo o trabalho-solo dele. Eu também estou fazendo. É legal!
Tacioli – Mas, artisticamente, o que sinalizou que estava na hora de terminar?
Abujamra – Hoje, quando eu falo que cago para a gravadora… Primeiro foi assim: a gente remou contra a maré durante 10 anos. Nunca tivemos apoio de gravadora. A gente sempre se bancou. Sempre ganhamos dinheiro. Eu gastei um apartamento.
Almeida – E como ganharam dinheiro se você gastou um apartamento?
Abujamra – Ô, meu nome é André e o seu é Daniel. Não apareceu um apartamento de um dia para o outro.
Almeida – Não, não.
Abujamra – No começo da carreira. [risos] Viagem para os Estados Unidos, com show aqui… Foi uma coisa… Não fique vermelho, Daniel! [risos] A gente ganhava com turnê… A gente ganhava dinheiro, só que era muito difícil. Era uma batalha diária. E aí comecei a ver que eu estava me repetindo, a coisa do russo. O público amava a gente, mas eu não estava fazendo mais nada de novo. A gente cansou mesmo, de batalhar, de lutar, muita gente junto… Então, o Karnak acabou na hora certa.

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Os Mulheres Negras
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