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Entrevistas de música brasileira

Alaíde Costa

Alaíde Costa. Foto: Jeff Dias/Gafieiras

Alaíde Costa

parte 6/15

O primeiro disco que comprei foi do Piazzolla

Pavan Você falou que sempre gostou de coisas diferentes e citou o episódio do “Noturno…”, do Custódio Mesquita. E o Custódio hoje é um compositor que hoje ninguém sabe quem é. Além dele, e mais pra frente, Johnny Alf, quais eram os compositores diferentes?
Alaíde – Ah, tinham vários. Valzinho, José Maria de Abreu, que eu cantava muito também, ele gostava muito de mim, me ensinava as músicas, eu ia no programa de calouros e cantava. Tinha o Ismael Neto, que tinha umas coisas muito lindas. Ah, tinha muita gente, mas esses foram os que tive mais contato. Garoto também tinha umas coisas lindas…
Tacioli Você chegou a conhecê-lo?
Alaíde – Não.
Tacioli Ele morreu em 1955.
Alaíde – Não, não cheguei a conhecê-lo.
Roberta E o Herivelto, você o conheceu?
Alaíde – Conheci.
Roberta Acompanhou o momento de sua separação com a Dalva?
Alaíde – Acompanhei. Tenho uma foto belíssima com a Dalva. Depois eu vou mostrar pra vocês.
Tacioli  Alaíde, o Pavan perguntou sobre os compositores que tinham a mesma preocupação estética que você tinha. Havia outras cantoras e cantores que tinham essa preocupação pelo gosto do diferente, do que era diferente naquela época?
Alaíde – A Neuza Maria. Eu gostava mais da intérprete do que das escolhas. Ela cantava, mas fazia uma confusão lá no repertório. Cheguei a gravar uma música que ela gravou, que é muito bonita, “Murmúrios”, que era bem diferente para as coisas da época. [n.e. Cantora paulistana, 1928-2011, Neuza Maria começou a carreira nos anos 1940 e fez sucesso na década seguinte. Gravou de tudo: samba, bolero, fox-trote, baião e jingles] Tinha a Mary Gonçalves com quem aprendi as músicas do Johnny. Quem mais, hein?
Pavan Você ouvia a Zezé Gonzaga?
Alaíde – Ah, tinha a Zezé também.
Roberta – Dolores (Duran)?
Alaíde – Mas a Dolores, a Sylvinha, vieram depois dessas aí que eu estou falando. E tinha o Dick (Farney), o Lúcio (Alves), o Johnny… Tinha uma turminha que fazia uma coisa diferente. Tinha Os Cariocas também, né? Os Cariocas eram demais já naquela época.
Tacioli Você lembra do primeiro disco que você comprou?
Alaíde – O primeiro disco que eu comprei, por incrível que pareça…
Tacioli Vicente Celestino!
Roberta – Foi o seu! [risos]
Alaíde – Por incrível que pareça, o primeiro disco que eu comprei foi do Astor Piazzolla.
Roberta Olha!
Max Eluard Falou que tinha que aprender cantar tango… [risos]
Alaíde – Não, não, não, não foi por isso, não! Foi porque eu ouvi no rádio, não sei por que milagre, Astor Piazzolla cantando um tango, já em 1956, um tango muito diferente.

Capa do álbum Piazzolla... o no?, lançado em 1961 pelo bandeonista Astor Piazzolla, o principal renovador do tango argentino. Foto: reprodução

Max Eluard Já era o “tango novo”?
Alaíde – Já. Aí eu fui e comprei. Ele se chama Piazzolla… o no?, não era tão moderno quanto foram os outros, mas já era moderníssimo. Foi o primeiro que eu comprei.
Pavan Gostava de uma coisa diferente mesmo.
Tacioli Dentro desse período, anos 1950, tiveram alguns fatos marcantes. Onde você estava quando soube da morte do Francisco Alves?
Alaíde – Parou o Rio de Janeiro inteiro.
Tacioli Você lembra onde você estava?
Alaíde – Em casa.
Max Eluard Foi uma comoção nacional.
Alaíde – Foi, eu estava em casa. O Francisco Alves até cantava umas músicas bem bonitas. Tinha muita coisa bonita.
Tacioli E da Carmen?
Alaíde – Da Carmen? Também foi outra que parou o Rio, aqui eu não sei (como foi), mas foi em 1949?
Tacioli 1955.
Alaíde – 1955? Em 1949 foi o…
Roberta 1952 foi a morte do Francisco Alves… Não sei se teve alguma marcante em 1949.
Alaíde – Teve alguma coisa em 1949 que eu também não lembro, eu não lembro.
Tacioli Eu não lembro.
Alaíde – Mas eu vou lembrar.

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