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Entrevistas de música brasileira

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

Alexandre Matias (e.), Ricardo Alexandre e Pedro Alexandre Sanches. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

parte 8/38

“Queremos alguém para o lugar do PAS”

Tacioli  Há jornalismo musical no Brasil?
Matias – Claro, aos montes, só que não nos veículos tradicionais e não tão bom como poderia ser, entendeu?
Ricardo Alexandre  Eu só me ressinto um pouco da gente não ter tido uma evolução no que ser poderia chamar de jornalismo musical no Brasil. Quem foram os grandes jornalistas musicais do Brasil nos anos 60?
Max Eluard  O Maurício Kubrusly era um deles. [ri]
Ricardo Alexandre  Kubrusly foi nos 70 para 80.
Matias  Tinhorão.
Ricardo Alexandre  Tinhorão, mas que não era um cara de reportagem, não era um cara que acompanhava o jornalismo que rolava lá fora.
Matias  Mas se você falar dos anos 70 a gente lembra de um monte.
Ricardo Alexandre  Um monte? Menos do que estão nesta mesa aqui, né, Matias?
Matias – É, não sei. Tárik de Souza, José Emilio Rondeau, Ana Maria Bahiana… Esses caras estão aí até hoje.
Ricardo Alexandre  Menos do que estão nesta mesa. [risos]
Matias  Não, mas se fizer um brainstorm a gente consegue um a mais.
Ricardo Alexandre  Não, pô, Ezequiel Neves, Okky de Souza… Ana Maria Bahiana você já falou?
Matias  Já. [risos]
Pedro Alexandre  Sem contar todos que ficaram malditos, que foram engolidos no processo. Igual manequim que engorda uns quilinhos e… [risos]
Matias  Ou que não tem mais paciência mesmo.
Ricardo Alexandre  Uma linhagem que teve continuidade se iniciou nos anos 80, né?
Matias – Mas você está falando de pop, né?
Pedro Alexandre  Mas aí é que está, Ricardo, dos anos 80 pra cá ficou em círculo. Onde eu entro nessa linha?
Ricardo Alexandre  Você entra no último vagão, velho! [risos] Isso foi uma das coisas legais que a gente fez na Bizz agora porque, bem ou mal, conseguiu-se revelar meia dúzia de moleques que têm um futuro promissor.
Matias  Que publicavam onde?
Ricardo Alexandre  Que estavam publicando na internet ou, às vezes, nem estavam publicando. Eu me ressentia muito em ver que já se passavam dez anos e a última geração de jornalistas de uma linhagem que tinha começado na Bizz, como Alex Antunes, José Augusto Lemos, Bia Abramo, esses caras, era eu, o Pedro, o Silvio Essinger, o Matias, o Emerson (Gasperin), mais ou menos… E dez anos depois não apareceu um pobre coitado, até porque não havia onde publicar, e aí começaram a aparecer na internet. Mas hoje a gente tem caras como Ricardo Schott, que é um moleque valoroso. Moleque valoroso é engraçado, porque ele deve ter a minha idade, a nossa idade. Nossa não porque o PAS é mais velho. [risos]
Pedro Alexandre – Trinta e nove recém-completos.
Ricardo Alexandre  O Sávio Vilela… São caras bons. O Arnaldo Branco, pô! O Arnaldo Branco também é engraçado porque ele é meio da nossa idade.
Pedro Alexandre  Mas esses caras novos são tributários das experiências anteriores? Estou pensando assim: a Folha viveu ciclos viciosos. Ciclo Pepe Escobar, ciclo Luís Antonio Giron, ciclo Pedro Alexandre Sanches. É sempre a mesma coisa, sabe? Tudo bem, alguma modificação foi feita… Não estou querendo me desvalorizar. Usei as minhas brechas, mas o modelo não se renovava, era sempre o mesmo. E esses de agora, o que estão fazendo?
Ricardo Alexandre  Vou te dizer que quando você saiu eles falaram literalmente “Queremos alguém para ocupar o lugar do Pedro Alexandre Sanches”.
Pedro Alexandre  Eles quem? Eles Folha?
Ricardo Alexandre  Folha de S. Paulo. Ah, você estava nessa rodada de ser o novo Alexandre! [dirigindo ao Matias] [risos]
Pedro Alexandre  E o que aconteceu?
Ricardo Alexandre  Acho que ninguém quis. [risos] Eu posso dizer por mim, eu não quis. O Matias também não quis… [risos]
Pedro Alexandre  Sobrou para o Ronaldo (Evangelista).
Ricardo Alexandre  Pobre Ronaldo!
Matias  O Ronaldo também era um desses caras que não tinham onde publicar. O Ronaldo apareceu no informativo da Bizarre.
Ricardo Alexandre  Olha lá.
Pedro Alexandre  E era super legal, né?
Matias – Ahã.
Pedro Alexandre  Às vezes quando você pega um cara legal e põe num desses lugares…
Matias  Engessa.
Ricardo Alexandre  O que eu sinto é uma geração que foi antipolemista e o Ricardo Scott talvez seja o principal dos antipolemistas.
Max Eluard  Essa geração nova que você falou?
Ricardo Alexandre  Talvez uma geração intermediária.
Max Eluard  Não a última, mas a penúltima geração.
Ricardo Alexandre  É meio misturado, não consigo diferenciar muito. Eram pessoas que queriam lutar contra a idéia de ser o enfant terrible dos veículos nos quais trabalhavam. Eram caras que sempre preferiram não falar de alguma coisa que achassem ruim a detonarem.

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Jornalismo cultural
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