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Entrevistas de música brasileira

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

Alexandre Matias (e.), Ricardo Alexandre e Pedro Alexandre Sanches. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

parte 3/38

A Bizz era um morto muito louco

[Chegam Max Eluard e Rune Tavares, entrevistadores e responsáveis pelo registro audiovisual]

Dafne – Você leu a entrevista que o Alexandre deu para o Digestivo Cultural?
Ricardo Alexandre  Li um pedaço, ou melhor, pedaços. [ri] Vi que ele falava de mim.
Dafne  Foi, sobre a Bizz…
Ricardo Alexandre  Pronto! Esse pedaço eu li. Dei um “Control F”. [risos]
Dafne  Ele questionava se ainda cabia uma revista impressa sobre música. Ele não tinha muita certeza. Será que ainda cabe? Música é tudo?
Ricardo Alexandre – Pô, Dafne, pergunta maldosa, né? Não sei. Eu gostaria de ter saído da Bizz pelo menos com essa certeza. É uma coisa que me incomoda, assim como me incomoda não saber se teria público se eu fizesse uma coisa legal em Jundiaí. O próprio Tacioli tentou fazer isso lá mais do que eu e não tem essa resposta, porque a gente não dispunha dos mecanismos para ter certeza disso. Vocês querem falar disso? É meio chato. [risos] Eu não queria ficar “mimimi”, de coitado, por causa da Bizz, mas o fato é que era eu e meus amigos tentando fazer uma revista sem que a Editora Abril percebesse. Então, não foi uma revista de música. A Bizz era um morto muito louco; eu ficava como o menininho do Sexto sentido [n.e. Filme de 1999 dirigido por M. Night Shyamalan, com Bruce Willis e o então garoto Haley Joel Osment], vendo uma revista morta e ela tentando falar comigo: “Em 1991 eu vendi 150 mil exemplares! Cuida de mim”. [risos]
Pedro Alexandre  Posso falar uma coisa? Acho que tem lugar, sim, mas não para essa vendagem. [Toca a campainha]
Dafne – Vendagens?
Pedro Alexandre  De qualquer coisa, de jornal, de CD. A gente viciou nessa idéia de que uma coisa somente acontece ou funciona se vender mais de 50 mil, não sei…

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Jornalismo cultural
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