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Entrevistas de música brasileira

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

Alexandre Matias (e.), Ricardo Alexandre e Pedro Alexandre Sanches. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

parte 32/38

“Você tem uma visão muito cristã do rock”

Tacioli – Mas você acha que um artista que foi alvo da sua pena na época áurea na Folha dorme mais tranqüilo se ouvir isso?
Pedro Alexandre – Será? Acho que não. Eles sentem falta da gente, por mais que eles detestem…
Ricardo Alexandre – Alguns artistas projetam algum tipo de frustração ou expectativa em cima do jornalista, assim como o jornalista também projeta no disco coisas que tenham a ver com a vida dele. O André Forastieri quando leu meu livro, Dias de luta, falou assim: “Você tem uma visão muito cristã do rock”. [risos] “Por que, velho?!” “Porque o seu livro fala sobre idealismo, sobre o cara passar por cima das limitações musicais para conseguir fazer sucesso e, com uma ingenuidade, vencer a indústria.”. E eu fiquei estupefato com essa leitura do meu livro. Aí foi muito engraçado porque chegou um cara um dia e disse “Pô, Ricardo, li seu livro e ele me deu força para continuar o meu trabalho; comecei a me inspirar naquelas bandas…”. “Desculpa, velho, mas qual é a sua religião?” “Sou metodista!” [risos] Então está explicado.
Tacioli – Essa é a sua formação?
Ricardo Alexandre – Totalmente, mas é isso que estou dizendo, embora algumas vezes a gente faça propositalmente e outras, não. Eu não faria um outro livro se não fosse daquele jeito, mesmo que eu quisesse. Ou faria um livro ruim.
Pedro Alexandre – Tem uma coisa pitoresca sobre isso: reclamo que mais gente poderia ter lido o meu livro, ele é tão legal, mas tem um universo de pessoas que leram de fato, e que não são duas mil pessoas, não sei, podem ser mais de duas mil, porque o livro circula, vai para os sebos. E aí descobri recentemente que tem um negócio no Orkut em que você pode dar uma busca e aparece tudo. Pus “Como dois e dois são cinco” e aí veio o universo de páginas do Orkut em que essa expressão apareceu. E tem um monte de gente, um monte que é pouco, é claro, mas um monte de gente que gostou do livro ou que está lendo. Aí o pitoresco: apareciam muitas páginas com “Livros que estou lendo”, sei lá, Robson Crusoé, 20 mil léguas submarinas e Como dois e dois são cinco. Saquei que muita gente estava lendo esses mesmos livros. Ou seja, tem um monte de gente no Orkut que copia (a indicação do outro). [risos] E na mesma seqüência, nem se preocupa em inverter. [risos] Acho legal, mas tem mais gente fingindo que leu o meu livro do que leu de fato.
Ricardo Alexandre – É o lance do status, né?
Pedro Alexandre – Pois é, eu acho.

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Jornalismo cultural
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