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Entrevistas de música brasileira

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

Alexandre Matias (e.), Ricardo Alexandre e Pedro Alexandre Sanches. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

parte 30/38

As pessoas perguntam da continuação do Dias de Luta

Tacioli – Que retorno o livro te deu, Ricardo? E pra você, Pedro? O Matias ainda não passou por essa experiência. [risos]
Ricardo Alexandre  O retorno financeiro foi legal. Eu vivi um tempinho por conta do livro.
Pedro Alexandre  Quanto vendeu?
Ricardo Alexandre  O Dias de luta vendeu 5 mil (exemplares).
Pedro Alexandre  Os meus tiveram tiragem de 2 mil cada, mas acho que é a engrenagem. É a mesma história da revista Bizz. São poucos exemplares, não estão visíveis, a mídia não fala, é caro… Pode não ser bom, também, isso faz parte, mas não entrou na engrenagem. Livro é radical: ou você vende 2 mil do Roberto Carlos ou… O Ruy Castro vende quanto?
Ricardo Alexandre  O Ruy Castro não sei, mas o livro do Nelson Motta vendeu 150 mil. [n.e. Noites tropicais  Solos, improvisações e memórias, 2000]
Max Eluard – Pensar nessas cifras para um país com 190 milhões de habitantes é ridículo, né?
Ricardo Alexandre  Mas outro dia vi um dado, que talvez seja bastante conhecido, que tem mais editoras que livrarias no Brasil. É um dado que as pessoas sempre repetem, mas é bom lembrar porque é muito louco.
Max Eluard – E, sei lá, tem mais livrarias na margem esquerda do (rio) Sena que em São Paulo.
Matias  Tem mais livraria em Buenos Aires que no Brasil.
Tacioli – E essa vendagem anima vocês a novos projetos de livro? Ou o Matias a escrever?
Ricardo Alexandre  Tenho essa dificuldade em fazer algo que já fiz.
Matias  Mesmo livro?
Ricardo Alexandre  As pessoas ainda perguntam: “E a continuação do Dias de luta, algo sobre os anos 90?” “Você tá louco, cara!” Eu não faria com o ardor com que fiz fiz aquele, até porque era solteiro quando comecei a fazê-lo. Aí você chega em casa depois de trabalhar o dia inteiro, vê sua filhinha, sua mulher e o computador. Humn, que dúvida! [ri]
Matias  Mas, ao mesmo tempo, um livro como esse, que deu um trabalho de pesquisa, você não descarta, né?
Ricardo Alexandre  De forma alguma, ou talvez de um outro assunto ou de alguma coisa que não tenha a ver com música. Mas no momento não tenho a menor vontade.
Pedro Alexandre  Eu quero muito, vou fazer, embora no momento não faça nada a respeito. E o seu livro foi muito mais falado que os meus, e se você analisar a vendagem não é tão diferente assim. O que quero dizer é que é bem frustrante. O trabalho que o livro do Roberto Carlos me deu foi colossal em todos os sentidos.
Max Eluard – E o cara nem pra proibir, né? [risos]
Pedro Alexandre  Puta, foda!
Ricardo Alexandre – Boa, boa, boa.
Tacioli – A gente pode fazer uma campanha.
Ricardo Alexandre – “Nova edição – Voa perna!” [risos] Mas você sente que está em um novo nível depois de ter feito esses dois livros?
Pedro Alexandre – Difícil responder…
Dafne – O livro dá essa sensação?
Pedro Alexandre – Putz, não sei…
Ricardo Alexandre – Pra mim deu.
Pedro Alexandre – É?
Ricardo Alexandre – Especialmente no trato… O Adriano Silva quando me chamou, falou que havia lido o meu livro. O tanto que entrevistei os editores da revista Bizz dos anos 80 somou-se ao fato do quanto que eu convivi com os editores nos anos 90, me deu uma percepção muito maior… Obviamente não foi isso que você perguntou, mas quando você chega e diz “Olha, fiz isso aqui!”, a reação é outra.
Pedro Alexandre – Dizer se muda ou não muda, eu não saberia dizer, mas é uma das coisas que me dão mais orgulho. De vez eu olho e penso “De onde surgiu isso? Quem fez isso?”.
Almeida – E você, Matias, não pensa (em escrever um livro)?
Matias – Eu nunca tive vontade. Idéias para livros tenho várias, uma a cada hora, mas aquela coisa de “Agora é a hora de lançar um livro” não tive isso ainda. E livro sobre o quê? Apesar da minha maior ênfase jornalística ser música, também cubro a parte de cultura digital e é um modelo interessante. Eu também queria me aventurar pela ficção, mas não queria publicar pra dizer que publiquei, entendeu? Se eu for fazer uma ficção, farei algo pra vender mesmo! [risos]
Dafne – Sensacional!
Matias – Hoje em dia tem gente publicando pra dizer que publicou; não é o caso de vocês, que tinham um projeto, foram na porta da editora… Mas hoje é muito fácil publicar um livro.
Ricardo Alexandre – No meu caso, Matias, fiz o livro porque eu teria ter um livro. Eu não tinha o assunto. “Já está na hora d”eu ter o meu livro.” Isso com três anos de carreira. [risos] “Já está na hora de eu ter um livro, uma coisa definitiva, vai que eu morra…” [risos]
Matias – Em 1996, né?
Ricardo Alexandre – É, comecei em 96. Comecei a trabalhar profissionalmente em 94. [ri] E procurei um tema que valeria um livro. É por isso que as pessoas se frustram quando falo que não tive esse apego aos anos 80; não tenho esse apego aos anos 80 que o livro poderia supor. Eu encontrei os anos 80 como um assunto interessante para conseguir encher 400 páginas. E é isso.

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Jornalismo cultural
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