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Entrevistas de música brasileira

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

Alexandre Matias (e.), Ricardo Alexandre e Pedro Alexandre Sanches. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

parte 2/38

Todo mundo é repórter agora

Tacioli  Bom, geralmente as entrevistas do Gafieiras são com artistas, a única exceção foi com o Fernando Faro, que é produtor…
Almeida  O que é uma falha! Sempre quisemos falar com pessoas ligadas à música, mas não somente artistas…
Ricardo Alexandre  Você está achando que não sou artista, velho?!
Tacioli  Bem, eu não sei…
Almeida  Estou vendo que você é produtor de disco, pelo menos tem projetos…
Ricardo Alexandre  Começou mal, cara… [risos]
Dafne  Você quer ser produtor?
Ricardo Alexandre  Não, a arte está… [risos]
Pedro Alexandre – Pô, eles compararam a gente com Fernando Faro...
Ricardo Alexandre  Aí, tudo bem! Prossiga, por favor… [risos]
Pedro Alexandre  Acho que os entrevistados estão atrapalhando. [risos]
Ricardo Alexandre  Isso porque só tem dois, né? [risos]
Pedro Alexandre  Não dá certo entrevistado que só sabe entrevistar e não dar entrevista.
Dafne – Então, beleza! Cada um vai para um lado agora; a gente entrevista um e depois o outro. Enquanto isso, um vê TV…
Tacioli  Mas a idéia é um bate-papo sobre música, sobre o que está rolando, o que cada um pensa não somente da música, mas dos meios de comunicação… É um papo sossegado.
Ricardo Alexandre  O que restou dos meios de comunicação…
Dafne  O que restou dos meios de comunicação?
Ricardo Alexandre  Restou o Pedro, né? [risos]
Pedro Alexandre  Dos meios de comunicação? [risos]
Ricardo Alexandre  Sempre me perguntavam quando eu estava lançando o Dias de luta, “O que você acha da crítica no Brasil?”. Aí, eu dizia, “O que eu acho do Pedro Alexandre Sanches?”
Pedro Alexandre  Jura que você falava isso?
Ricardo Alexandre  Só tem o cara, né, bicho?
Pedro Alexandre  Agora não tem nenhum então, porque não estou fazendo mais isso.
Ricardo Alexandre  Pois é. Você como homem a “apagar luz” da crítica… [risos]
Pedro Alexandre  Precisa demolir, derrubar as paredes mesmo. Para gente é assustador, mas precisava acontecer isso. Depois começa a construir outra casa.
Dafne – Demolir as paredes?
Pedro Alexandre  Demolir as paredes das gravadoras, das revistas, da TVs… Estou falando uma loucura, não sei se isso vai acontecer, mas demolir paredes é isso, como esses aparelhinhos que a gente estava falando [n.e. Gravadores digitais portáteis], a internet. Não vai mais precisar de repórter. Todo mundo é um repórter agora.
Ricardo Alexandre  Nunca precisou, na verdade. É que a indústria funciona em cima de bases com alguma solidez e fórmulas, e ninguém nunca parou para pensar que essas fórmulas nasceram artificialmente. [toca a campainha] No começo era o artista e seu violão, o seu atabaque…
Dafne  E são fórmulas recentes, né?
Ricardo Alexandre – Totalmente. Aí fica todo mundo chorando “E o CD acabou…”, mas pense no coitado que fazia o negócio da Casa Edison, de cera de carnaúba. [risos] Durou muito menos que o CD numa época em que as evoluções eram mais lentas.
Pedro Alexandre  Eu estava lendo isso; nunca soube que o Flávio Cavalcanti [n.e. Apresentador de rádio e TV, 1923-1986] quebrava discos de cera de carnaúba. Depois com o vinil, que era mais forte, ele tinha dificuldade de quebrar.
Ricardo Alexandre  Claro, era mais maleável.
Pedro Alexandre  Não sei, essa história é meio mal-contada. [risos] Está na biografia dele. Você lembra do programa dele?
Ricardo Alexandre  Claro. Ele quebrou aquele disco da Rita Lee, o Saúde. [n.e. Disco de 1981, lançado pela Som Livre, e que trouxe músicas como “Tititi”, “Atlântida” e “Banho de espuma”]
Pedro Alexandre  Ele quebrava mesmo? Eu não lembro. Mas acho que ele aprendeu a técnica de quebrar vinil.
Ricardo Alexandre  Ele ficou quebrando vinil nas férias para aprender. [risos]

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Jornalismo cultural
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