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Entrevistas de música brasileira

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

Alexandre Matias (e.), Ricardo Alexandre e Pedro Alexandre Sanches. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

parte 27/38

Cada número da Bizz era uma vitória

Ricardo Alexandre  Outro dia alguém veio me dizer (sobre o fim da Bizz): “Ah! Eu já sabia”. Gostaria de dizer aqui, publicamente, que eu sabia muito antes. [risos] Tenho um e-mail da direção, do fim de 2005, dizendo que a Bizz não ia entrar em 2006. “Eu já sabia?” Eu já sabia muito antes.
Matias  Estava lutando contra isso.
Ricardo Alexandre  Cada número era uma vitória. Uma revista que foi feita com a paleta de cores da Info Corporate porque a gente usava computador emprestado. Tinha a paleta de cores no computador da revista Info Corporate e a gente simplesmente transportou para a Bizz. O projeto gráfico foi feito por um cara que nunca havia trabalhado em revista, um menino de 21, 22 anos.
Matias  Mas você tem uma outra experiência, que foi a de fazer uma revista por conta própria.
Ricardo Alexandre  Que foi a Frente, que durou três números. [n.e. Em 2002] Olha, além do meu salário que bem no final da revista Bizz foi corrigido, não vi grandes diferenças. Não tô dizendo que fazer uma revista dentro da Editora Abril ou fazer a Bizz seja a mesma coisa de fazer a Frente, não é isso! É que a situação em que a gente fez a revista foi muito parecida. A Bizz não se beneficiava em nenhuma medida do fato de estar dentro da Editora Abril.
Matias  Era pior, inclusive, porque tinha de justificar pelo menos 30 mil exemplares vendidos por causa do gigantismo da estrutura. Agora, passadas essas duas experiências, Frente e Bizz, você consegue pensar em uma revista sua independente hoje, já que você conhece o lado pequeno e o grande?
Ricardo Alexandre  Minha, Ricardo Alexandre, pessoa física ou jurídica? Pessoa jurídica, penso. É possível, é viável, mas tem de dimensionar o negócio para que venda… Sabe qual foi o grande negócio da Bizz? A revista Bizz surgiu porque eu trabalhava em um núcleo de revistas especiais da Editora Abril. E eram sempre formatos muito esquisitos para tentar driblar a passividade e a monstruosidade que a Editora Abril tinha em 2004. Eram revistas como a Vida Simples, que era uma revista de bem-estar social e correção política e que começou como um especial da Superinteressante. Era o mesmo núcleo que fez a Placar começar com especiais e voltar a ser uma revista mensal. Era o núcleo que fazia a Aventuras na História… Eram títulos que iam para as bancas e se mostravam vencedores. Tudo isso para driblar uma época em que lançar e investir em novos títulos dentro da Editora Abril era muito mal visto. E o que mais me seduzia era o formato da Info Corporate, que é uma revista que não sei sobre o que é por ser tão segmentada, e continuo sem entender até hoje, mas era uma revista distribuída para grandes executivos. Custava uns 20 reais, uns 5 mil exemplares iam para as bancas e eles ganhavam em anúncio. Era uma revista que todo mundo queria anunciar porque falava para grandes executivos.
Max Eluard – Não precisava vender.
Ricardo Alexandre  Não precisava vender. “Opa, estamos falando aqui de um formato interessante.” Então, quando o Adriano Silva, que foi o co-responsável pela volta da Bizz, me chamou pra editá-la, pensamos em formatos diferentes pra fazer a revista ser viável num ambiente daqueles. “Como fazer uma revista para um público segmentado se dar bem na banca?” Então a gente pensou nos especiais, que eram uma inspiração da Placar. Mas não teve demanda! Fizemos as 100 melhores capas de discos de todos os tempos e a História do rock, que tinha Elvis na capa, Beatles na capa, Led Zeppelin na capa e U2 na capa, e nenhuma teve a demanda que a revista Emoção & Inteligência tinha.
Pedro Alexandre  Existe essa revista? [ri]
Ricardo Alexandre  Existe.
Pedro Alexandre  Ela fala exatamente sobre isso, emoção e inteligência? [ri]
Ricardo Alexandre  É mais uma dessas revistas que não sei do que trata. [risos] Eu a folheio e não sei sobre o que é.
Matias  Mas qual é a diferença dessa revista para a Vida Simples?
Ricardo Alexandre  Tem. Folheando você percebe, mas não sei qual é. [risos] Mas de qualquer maneira a gente pode falar que não teve investimento, que a corporação atrapalha, sem dúvida, não há como negar isso, mas a falta de demanda reprimida na banca para consumir isso aí foi determinante. Vão dois títulos para a banca, com a mesma falta de investimento: um com o John Lennon na capa e o outro com uma tomada, um vaso ou um xaxim na capa, e o xaxim vende mais que o Bob Marley! O que você vai fazer? Não sei.
Pedro Alexandre  Não sei quando você está tirando sarro… [risos]
Ricardo Alexandre – Sobre o xaxim? Não sei se existe essa edição, mas pode existir.
Matias  As pessoas mudaram de drogas. [risos]

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Jornalismo cultural
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