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Entrevistas de música brasileira

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

Alexandre Matias (e.), Ricardo Alexandre e Pedro Alexandre Sanches. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

parte 26/38

Fizemos uma revista que dava a impressão de ser grande

Pedro Alexandre  Quero virar a mesa e fazer uma pergunta pra vocês. Como oGafieiras sobrevive?
Max Eluard – Da nossa mensalidade.
Dafne – Que está atrasada.
Ricardo Alexandre  Nossa de quem?
Max Eluard – De nós quatro, que pagamos mensalmente um dinheirinho para manter o Gafieiras.
Pedro Alexandre  E cada um tem seu emprego e o Gafieiras é…
Max Eluard – Claro. Por isso a gente só pode fazer entrevista depois das oito da noite. [risos]
Tacioli – E que começa às dez. [risos]
Max Eluard  Mas é assim que a gente sobrevive.
Pedro Alexandre  Nós também. Eu passo oito horas por dia na firma.
Ricardo Alexandre  Agora sou um profissional liberal, trabalho em casa, autônomo.
Pedro Alexandre  Mas antes você trabalhava umas 14 horas por dia.
Ricardo Alexandre  Nem me lembre.
Pedro Alexandre  Ninguém vê isso, né? Quantas horas por dia o heroizinho leva pra fazer aquelas revistas bacanas? Vocês devem trabalhar umas 20, né? [risos]
Dafne – Tem dias…
Ricardo Alexandre  Isso é uma das belezas da internet, porque essa democratização de formato é muito mais satisfatória. Se você tem um bom programador, como vocês têm o Flávio (Rosselli), o site de vocês fica em pé de igualdade com qualquer outro feito por uma grande estrutura.
Pedro Alexandre  Se não melhor.
Ricardo Alexandre  Provavelmente. Essa era uma das satisfações que eu tinha fazendo a Bizz, porque as pessoas, em nenhum momento, imaginavam a favela que era aquilo. Lembro do Emerson Gasperin que gerenciou a Bizz na época da Editora Símbolo, que era uma editora pequena, com uma estrutura que o Pedro Só declinou, “Com essa estrutura não faço uma revista”. Quando o Emerson viu a estrutura que a gente tinha, viu que era muito menor que a Símbolo. [ri] E fazíamos uma revista que dava a impressão de ser grande, bacana, bem cuidada.
Pedro Alexandre  É o caso da Rolling Stone. Pelo que sei é uma redação pequena.
Ricardo Alexandre  É parecido com o que era a gente, mas a estrutura em volta (da redação da Rolling Stone) é muito maior. Eles têm mais gente pra vender anúncio, pra estudar distribuição, pra botar na banca, coisas assim.
Matias  A estrutura da Rolling Stone foi pensada. Esse é o negócio. A da Bizz, não. Apareceu ali e a Abril teve de lidar com aquilo.

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Jornalismo cultural
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