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Entrevistas de música brasileira

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

Alexandre Matias (e.), Ricardo Alexandre e Pedro Alexandre Sanches. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

parte 1/38

Um dos planos era produzir um disco para o Ronnie Von

[Enquanto a equipe ajusta a parafernália e aguarda a chegada de Alexandre Matias…]

Ricardo Alexandre – Mesa de som, velho? Quando eu tinha banda em Jundiaí não tinha isso, não? [risos]
Ricardo Tacioli – Vai lá, Ricardo…
Ricardo Alexandre  Oi! [canta com voz empostada] “The more I see you…” [risos]
Tacioli  Foi legal sua participação no programa do Ronnie Von? Você não falou ainda.
Ricardo Alexandre – Ah, cara! Eu estava muito estranho. Eu sabia que a revista ia acabar e fui lá falar daquela capa do Sargent Pepper’s que a gente fez, né? [n.e. Edição 214, junho 2007] Achei meio ridículo. Aí meu pai ficou revoltado, “Você não deveria ter falado da revista; eles te mandaram embora”. [risos] “Ah, pai, aquilo (a demissão) foi uma solução.” E tenho de confessar que um dos planos secretos que eu nutria era produzir um disco para o Ronnie Von. Assim, meio pop-barroco, sabe? Sempre que estou com ele fico pensando nisso, mas toda vez desisto de falar porque acho que vai ser uma péssima idéia.
Tacioli  Você acha que ele pode topar?
Ricardo Alexandre – Não. Sei lá o que pode acontecer, cara.
Pedro Alexandre Sanches  Ele queria fazer um disco tipo Rod Stewart, né?
Ricardo Alexandre  De grande canções americanas. É, está vendo…
Dafne Sampaio  Uau! Então melhor deixá-lo parado.
Ricardo Alexandre  É, justamente. Tenho aquele impulso e depois falo “Deixa, deixa, deixa”.
Dafne  Pop-barroco?
Pedro Alexandre  Dá uma definida nisso, por favor? [risos]
Ricardo Alexandre  Essas coisas meio Van Dyke Parks [n.e. Pianista, arranjador e compositor de trilhas sonoras; trabalhou com Beach Boys, Byrds e o casal Sonny & Cher], essas coisas que o Ronnie fazia sem saber que fazia. E aí, pegar uns caras legais para arranjar, compor para ele, sabe? Não dá! Chega de roubada! Já tive a revista Bizz. Agora mais isso? Chega de roubada! [risos]
Dafne – Tá gravando aí, fio?
Almeida – Tá, tá.
Tacioli – Olha, Ricardo, é tudo cenográfico. [com relação ao equipamentos da entrevista] Somente o gravador de cassete grava.
Dafne  O cassete é o bicho!
Almeida  Esse é o que garante.
Ricardo Alexandre  Eu queria fazer um disco de mashups na Som Livre. [n.e. Termo derivado da prática do hip-hop de mixar trechos de músicas diferentes em uma só] Vou falar isso antes do Matias estar aqui, porque a gente não pode falar de mashupsperto dele, senão tem recaída. Outro dia eu estava com ele no MSN e fiquei 20 minutos antes dele falar de mashups. “Parabéns, Matias, você está conseguindo!” [risos]
Pedro Alexandre  Vai para posteridade, falando mal do entrevistado que não chegou ainda. [risos]
Ricardo Alexandre  O Pedro Só tem um mashup que é maravilhoso, em que ele mistura o disco do Dr. Dre instrumental com “Peru da festa”, do Costinha. [risos]
Dafne  Onde está?
Ricardo Alexandre – Quando ele discoteca põe isso aí. E eu queria fazer um disco na Som Livre de mashups; isso entraria no “lado B do CD”.
Dafne  Eu ouvi um dia desses o da Pitty com Ace of Base. [n.e. Grupo pop sueco que estourou em 1993 com a música “All that she wants”]
Ricardo Alexandre  Ah! Eu já ouvi falar disso. É claro que eu não baixei, mas…
Dafne  Eu ouvi. É meio freak…
Ricardo Alexandre  É uma falta de respeito com Ace of Base. [risos] Uma das grandes coisas dos anos 90.
Dafne  Do pop internacional?
Ricardo Alexandre  Eu acho. Ace of Base e Midi, Maxi & Efti. [n.e. Trio feminino de cantoras etíopes refugiadas na Suécia que fizeram sucesso em 1991 com “Bad bad boys”] Lembra do Midi, Maxi & Efti, cara? [canta] “Bad, bad, boys come with me.” Putz, demais! Como é bom isso! [risos] As pessoas não valorizam essas coisas…
Dafne – Ontem eu estava relembrando “Lua vai”, do Katinguelê, que é aquela [canta] “Lua vai / Iluminar os pensamentos dela…”. [n.e. Na verdade a música se chama “Recado à minha amada” e foi sucesso do grupo de pagode Katinguelê no início da década de 1990]
Pedro Alexandre  É boa!
Ricardo Alexandre  É boa. Aí, tudo bem.
Pedro Alexandre  Não sabia que era do Katinguelê, mas é boa.
Ricardo Alexandre  “Aquilo sim era bom! Aquele tempo…”
Dafne  “Aquilo sim que era pagode!” [risos]
Ricardo Alexandre  A molecada da Bizz, de vinte e poucos anos, quando pintava esse clima de nostalgia, dizia “Bom era aquele tempo que não havia caixa eletrônico, quando a gente precisava ficar na fila para tirar dinheiro no banco”. [risos]

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Jornalismo cultural
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