gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

Alexandre Matias (e.), Ricardo Alexandre e Pedro Alexandre Sanches. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Matias, Ricardo Alexandre e PAS

parte 14/38

Agora vou defender os artistas

Dafne  Alguém quer beber alguma coisa?
Matias  Café você tem?
Ricardo Alexandre  Café.
Dafne – Café? Tenho.
Almeida  Três.
Max Eluard  Quatro.
Ricardo Alexandre  Quer aproveitar a minha xícara? [risos]
Dafne  Opa, claro!
Pedro Alexandre  Isso vai ficar registrado. [risos]
Dafne  Essa aqui é do Ricardo.
Ricardo Alexandre  Não vá confundir!
Matias  Enche e traz! [risos]
Tacioli  O que levou vocês a aceitarem o convite de serem jurados de um festival como o da Cultura?
Pedro Alexandre  Tinha um cachezinho.
Ricardo Alexandre  Tinha o cachê…
Tacioli  O cachê era bom?
Pedro Alexandre  Não dá para ser hipócrita, era bom, mas era cachê…Você achou bom?
Matias  Mais pela experiência, não?
Ricardo Alexandre  Não, era O.K. (o cachê) Acho que pelo trabalho…
Pedro Alexandre  Eu ia chegar nisso. Comecei pelo lado mais porco. Além disso, tem o lado do status “Me convidaram; eu sou legal!”. Não dá para negar que a gente fica feliz.
Max Eluard  É um reconhecimento.
Pedro Alexandre  E, por último, juntou tudo isso, você fala “Vamos lá, pode ser legal. Pode pintar uma coisa nova”.
Ricardo Alexandre  Você pensou em tudo isso antes, Pedro? Como você conseguiu pensar rápido assim? [risos] É exatamente isso.
Pedro Alexandre  Por que essa pergunta?
Ricardo Alexandre  Putz, eu ia demorar uns três dias para pensar porque aceitei, mas é isso aí que você falou.
Pedro Alexandre  Na verdade, a gente não quer responder que é pelo dinheiro. Ninguém faz nada por dinheiro. A Paula Toller não grava disco por dinheiro.
Ricardo Alexandre  Imagina.
Matias  Ó lá, ó lá.

[Dafne traz o café]

Dafne  Esse é do Ricardo Alexandre.
Ricardo Alexandre  Você colocou a “laminha” no fundo.
Dafne  Tem açúcar.
Ricardo Alexandre  Está bom, obrigado.
Pedro Alexandre  E daí é que a coisa começa a ser hipócrita para tudo quanto é lado, porque todo mundo precisa sobreviver…
Ricardo Alexandre  Aí, não, pára! Agora vou defender os artistas. Vou usar todo o meu talento. Se o cara fosse fazer por dinheiro, iria para a publicidade e não para a música. E agora, olha o que vou dizer, nunca disse isso, é a primeira vez, mas sei de artistas…
Matias  Vai citar nomes?
Ricardo Alexandre  Dessa vez não posso porque os caras não estão falidos como aquele outro.
Matias  Igual a quem? [risos]
Max Eluard  Até o fim da noite sai. [risos]
Ricardo Alexandre  O cara deu um chapéu em sua própria editora e ligava diretamente para as agências de publicidade dizendo “Se vocês quiserem colocar música minha na propaganda, vocês podem falar direto com a minha mulher. Não precisa da editora, de nada disso”. O cara precisava de dinheiro; isso aí é fazer a coisa por dinheiro. Ou como outro baluarte do rock brasileiro dos anos 80 que compôs uma música chamada “Crédito” [risos] [n.e. Composição do ex-RPM Paulo Ricardo] – deve estar fora de catálogo e ninguém lembra disso – e ligava de agência em agência perguntando se havia algum banco que queria usar a música, que depois virou música de trabalho não bem-sucedida, obviamente.

Tags
Jornalismo cultural
de 38